Carolina Curi/ Agência CLDF

Presidente do BRB cobra aval ao socorro e alerta para impacto em serviços do DF

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, pediu nessa segunda-feira (2) que deputados distritais aprovem o projeto de socorro apresentado pelo governo do Distrito Federal. Em reunião na Câmara Legislativa (CLDF), ele afirmou que, sem o aval, o banco pode “parar de funcionar” do ponto de vista regulatório, com reflexos diretos em políticas públicas e no crédito local.

Segundo Souza, a interrupção atingiria o pagamento de programas sociais operados pelo BRB, a entrega de medicamentos de alto custo, a bilhetagem do transporte público e linhas de financiamento, incluindo crédito imobiliário e empréstimos a servidores. O executivo citou impacto imediato em cerca de 400 mil beneficiários de transferências de renda.

O texto do GDF, do governador Ibaneis Rocha (MDB), reúne alternativas para reforçar o capital do banco. Entre elas, autoriza aporte direto, empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou com bancos e o uso de nove imóveis públicos, que podem ser transferidos, vendidos, colocados em fundo imobiliário ou oferecidos como garantia.

Um documento citado em reportagens aponta que o governo local calcula esses imóveis em R$ 6,486 bilhões. A lista inclui terrenos e o Centro Administrativo do DF, que está sem ocupação há mais de uma década.

A capitalização anunciada pelo BRB depende desse pacote. A proposta prevê aumento de capital social de até R$ 8,8 bilhões, por meio da emissão de 1,675 bilhão de ações ordinárias, com votação marcada para 18 de março. Souza tem repetido a deputados que o projeto “não é cheque em branco”, mas um conjunto de instrumentos para dar previsibilidade e preservar a solidez do banco.

O plano tenta conter perdas atribuídas a ativos ligados ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O BRB recebeu ativos em troca de uma carteira de crédito sob suspeita de fraude, de R$ 12,2 bilhões, e o BC apontou uma perda estimada em R$ 5 bilhões.

Souza assumiu a presidência do BRB no fim de 2025, após aprovação do Banco Central, e diz trabalhar para estabilizar o banco e resguardar clientes e investidores.

Da Redação

Fred Lima

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