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Wilder na mira: senador goiano é investigado por suspeita de desvio de R$ 1 milhão em emendas

Ação da Polícia Federal atende ordem do STF e expõe fragilidades no uso de verbas públicas em ano pré-eleitoral

A Polícia Federal apura 964 emendas parlamentares que somam R$ 649 milhões da União. O levantamento foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e envolve casos em que não há plano de trabalho que comprove o uso do dinheiro. A medida tem como objetivo reforçar a transparência no uso das chamadas emendas impositivas.

Entre os alvos da investigação está o senador Wilder Morais (PL-GO). Segundo reportagem do jornal O Popular, publicada nesta quarta-feira (27), R$ 1 milhão em emendas indicadas por ele estão sob suspeita. A apuração busca esclarecer se houve desvio ou uso irregular dos recursos.

O modelo de emendas impositivas, criado em 2019, permite o envio direto de recursos para estados e municípios, sem necessidade de convênios ou projetos específicos. A justificativa era dar mais agilidade à aplicação das verbas. No entanto, especialistas alertam que a falta de exigências mínimas para o repasse abriu brechas para o mau uso do dinheiro.

Para analistas de contas públicas, a ausência de planos detalhados dificulta a fiscalização e favorece práticas irregulares. O risco de uso político dos recursos se intensifica em ano pré-eleitoral, como o atual. Há receio de que os valores bancando obras mal planejadas — ou sequer realizadas — virem moeda de troca por apoio eleitoral.

Por ordem do STF, o Tribunal de Contas da União (TCU) tem prazo de 10 dias úteis para enviar à PF a lista completa das emendas com falhas. A expectativa é que cada caso seja analisado individualmente, podendo resultar na abertura de inquéritos policiais.

As investigações colocam em xeque um modelo que, apesar de legal, se mostra vulnerável diante da fragilidade dos mecanismos de controle.

Da Redação

Fred Lima

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