Foto: Reprodução
Na Lupa: Cappelli cria seu ‘gabinete do ódio’ na estrutura paralela da ABDI
A esquerda brasileira sempre acusou a direita de fomentar, nas redes sociais, ataques sistemáticos contra pessoas e governos alinhados a pensamentos comunistas/socialistas. Para isso, criou o termo “gabinete do ódio”, que ficou conhecido principalmente quando Jair Bolsonaro (PL) presidia o país. Para os esquerdistas, era um absurdo que o Planalto possivelmente tivesse selecionado nomes para atuar dentro da estrutura da presidência, para promover fake news contra adversários políticos.
Só que todos conhecem a máquina de triturar adversários criada pela esquerda, que atuou nos dois primeiros mandatos do presidente Lula (PT), nos dois da presidente Dilma (PT) e, agora, no terceiro governo do presidente. Não é errado que as siglas partidárias possam ter seu núcleo de estratégia e sua guerrilha digital para construir narrativas e desconstruir enredos criados por adversários. Contudo, uma coisa são os partidos; outra é utilizar empresas e órgãos públicos para tal finalidade.
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pré-candidato ao Palácio do Buriti nas eleições de 2026, Ricardo Cappelli (PSB), tem sido acusado de valer-se do cargo para catapultar suas pretensões eleitorais. Para isso, de acordo com a denúncia publicada pelo portal Diário do Poder, uma sala no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul, em Brasília, tem sido usada como núcleo de campanha.
O núcleo, chefiado pelo gerente de marketing da ABDI, Bruno Trezena, operava com metas diárias e controle rígido. Mensagens atribuídas à assistente Ana Cardoso exigiam responder 70 comentários e 10 publicações, enviar 60 mensagens e fazer 30 ligações por WhatsApp, com “padrão humanizado”, uso contido de emojis e correção gramatical. Havia cobrança de horário e aviso prévio para mudanças. A orientação era preservar a imagem do pré-candidato: “Cappelli é jornalista, não pode haver erros”.
Ex-integrantes relatam a compra de cinco celulares e cinco notebooks para simular a presença do pré-candidato nas redes. Vídeos circulavam em grupos internos de WhatsApp, que também coordenavam disparos a simpatizantes e grupos políticos. As tarefas eram acompanhadas por planilhas e relatórios. Há denúncias de demissões sem aviso, falta de registro em carteira e atrasos de pagamento, além de clima de retaliação.
Se confirmada, a prática pode configurar campanha antecipada e uso indevido da estrutura pública.
Tudo isso se torna estranho porque Cappelli, em suas redes, posa de paladino da ética pública, como se fosse um outsider que abomina práticas políticas. Talvez essa seja a propaganda criada pelo marketing paralelo da ABDI, que deveria cuidar de assuntos relacionados ao desenvolvimento industrial brasileiro, e não das pretensões políticas de um candidato ao GDF.
Da Redação
- Celina compara marcha de Nikolas a Martin Luther King e defende “consciência” e pacificação - 25 de janeiro de 2026
- Ibaneis assina decreto que reconhece a ‘nova imprensa’ e ABBP diz que pauta histórica foi atendida - 23 de janeiro de 2026
- Câmara: Lêda Borges propõe inventários nacionais e muda foco de projeto sobre resíduos - 22 de janeiro de 2026

