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Na Lupa: Damares acerta em cheio o coração do sistema corruptível das igrejas
Quem pensava que a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) fosse uma espécie de Silas Malafaia, ou seja, uma apoiadora incondicional do crescimento irregular de igrejas evangélicas, especialmente daquelas que foram usadas para captar beneficiários e intermediar esquemas que resultaram em descontos irregulares e outras fraudes, enganou-se por completo. Ao dizer que “grandes igrejas” e “grandes pastores” apareceram na investigação da CPMI do INSS por fraudes que atingem aposentados e pensionistas, a parlamentar abdicou do espírito de líder de torcida e causou o furor dos picaretas da fé, que estão acostumados a utilizar igrejas de fachada para interesses escusos.
Alçada ao cargo de ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Jair Bolsonaro, Damares foi, na época, bastante avacalhada pela imprensa por narrar seu triste testemunho, quando, aos 10 anos, após sofrer abusos, subiu em uma goiabeira para se matar e desistiu quando “viu Jesus”, segundo ela. Na época, a imprensa ligada à esquerda anticristã zombou bastante da senadora, afirmando que uma mulher fundamentalista ocuparia uma pasta na Esplanada. Sua atuação como ministra calou a boca de parte dos achincalhadores de plantão, o que lhe rendeu uma vaga no Senado Federal pelo DF.
Atacada por Malafaia, André Valadão e outras figuras notórias do meio gospel, Damares furou a bolha da extrema-direita e se aproximou do público de centro, politicamente falando. A esquerda sempre vai detestá-la, mas os eleitores que não gostam dos extremos passam, agora, a olhar a parlamentar com outros olhos.
Ao denunciar e expor a lista de igrejas fraudulentas, a senadora, que também é pastora, separou alhos de bugalhos, contribuindo para o saneamento das igrejas. Uma coisa é fazer parte de uma religião; outra é aceitar que o nome de Deus seja utilizado para promover cambalacho.
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