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Caiado encerra mandato em Goiás com vitrine na segurança e ajuste das contas

O governador Ronaldo Caiado (PSD) prepara a transferência do cargo ao vice-governador Daniel Vilela (MDB) no próximo dia 31 de março, encerrando um ciclo de sete anos à frente de Goiás. No balanço de fim de gestão, o governo deixará um estado mais organizado, com contas equilibradas e investimentos consolidados em áreas como segurança pública, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Ao assumir em 2019, Caiado afirmou ter encontrado um estado em crise fiscal, com déficit estimado em R$ 6 bilhões, dívida próxima de R$ 19,6 bilhões, atraso de salários e passivos com fornecedores. Agora, a projeção da Secretaria da Economia é de deixar cerca de R$ 9,8 bilhões em caixa, dos quais R$ 4,2 bilhões em recursos livres do Tesouro. Segundo a gestão, o resultado decorre de ajuste fiscal, controle de gastos, reformas e reestruturação do pagamento da dívida.

Na segurança pública, área tratada pelo governo como principal marca do período, os dados oficiais apontam sete anos seguidos de queda nos principais crimes. No comparativo com 2018, o estado registrou redução de 97% nos roubos de carga, 95% nos roubos de veículos, 92% nos roubos a transeuntes e 91% nos roubos a comércios. O governo também afirma que o chamado “novo cangaço” deixou de ser registrado em Goiás nos últimos anos e destaca o menor número mensal de homicídios da série histórica em outubro de 2025.

Esse resultado, segundo o palácio, foi apoiado na integração entre as forças policiais, no reforço do sistema penitenciário e no uso de tecnologia. Entre as ferramentas citadas estão a plataforma “IA Contra o Crime” e o projeto do “Cinturão Virtual”, sistema de videomonitoramento que poderá reunir mais de 22 mil câmeras em cidades estratégicas, regiões metropolitanas e áreas turísticas.

Na infraestrutura, o governo diz ter saído de um quadro de paralisações e passivos para um ciclo de obras em várias frentes. Entre 2019 e 2025, foram destinados R$ 23,7 bilhões a obras e projetos. Na área da Goinfra, a estimativa é de um legado entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, somando rodovias, hospitais, presídios, unidades socioeducativas e outras intervenções. O auge, segundo a agência, ocorreu no ano passado, com cerca de R$ 4 bilhões investidos em infraestrutura.

A recuperação da malha rodoviária aparece entre os principais eixos desse pacote. De acordo com a Goinfra, o primeiro momento da gestão foi dedicado à restauração de estradas estaduais. No segundo mandato, o foco se ampliou com recursos do Fundeinfra para viadutos, pontes e novas rodovias. Hoje, segundo a agência, cerca de 50 obras estruturantes integram a carteira do fundo, e mais de 70% já estão em andamento.

Na educação, o governo aponta um processo de modernização da rede estadual entre 2019 e 2022, com investimentos próximos de R$ 5 bilhões. Desse total, mais de R$ 2 bilhões foram destinados à construção, reforma e ampliação de escolas. A gestão também destaca a retomada de obras paralisadas, a melhoria de espaços pedagógicos e esportivos e a compra de equipamentos para as unidades escolares.

A digitalização do ensino também integra esse balanço. Segundo o governo, os investimentos em conectividade e tecnologia superaram R$ 450 milhões, com aquisição de chromebooks, computadores e notebooks para professores, além da ampliação do acesso à internet. A administração inclui ainda programas de permanência estudantil, ações de inclusão social, reajustes salariais, adoção do piso nacional do magistério e concurso público para reforçar a rede.

Na saúde, os números apresentados pela gestão indicam ampliação da estrutura e dos recursos. O orçamento da área passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 5,7 bilhões, e a aplicação estadual subiu de 12,1% do mínimo constitucional, em 2018, para 15,08%. O número de hospitais sob gestão estadual foi de 17 para 25, enquanto a rede de policlínicas regionais chegou a seis unidades.

O governo também destaca a expansão da alta complexidade. Entre 2018 e 2025, os leitos de UTI passaram de 267 para 790, e o serviço, antes restrito a três municípios, alcançou 20 cidades. Entre as entregas citadas estão o Hospital Estadual de Águas Lindas, o Hospital do Centro-Norte Goiano, em Uruaçu, o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, em Goiânia, e o Complexo Oncológico de Referência do estado de Goiás, o Cora, voltado ao atendimento oncológico infantil pelo SUS.

No campo econômico, a gestão associa o legado à atração de empresas, à reorganização de distritos industriais e ao avanço da mineração. A Codego destaca a regularização fundiária de áreas industriais antigas, com atenção especial ao Distrito Agroindustrial de Anápolis. Também cita a criação de dois novos distritos, o DaiaPlam, em Anápolis, e o Dianot, em Aparecida de Goiânia, com expectativa de mais de 120 empresas instaladas e cerca de 30 mil empregos gerados.

A mineração de terras raras é outro ponto explorado no discurso de fim de administração. O governo cita aportes previstos da Appia Rare Earths em Iporá, da Aclara Resources em Nova Roma e a ampliação das operações da Serra Verde, em Minaçu. Na indústria, o balanço reúne anúncios de investimento de empresas como Weichai, John Deere, Ambev e Mitsubishi, apresentados como sinais de expansão produtiva e maior competitividade do estado.

A política de retomada econômica completa esse quadro. Segundo a Secretaria da Retomada, entre 2019 e 2025 foram feitos mais de 481 mil encaminhamentos para vagas de trabalho, com 52 feirões de emprego apenas em 2025 e mais de 8,6 mil encaminhamentos nesse ano. A pasta também informa a emissão de mais de 143 mil certificados em cursos profissionalizantes, além da concessão de Crédito Social e Bolsa Qualificação a dezenas de milhares de beneficiários.

No conjunto, o balanço do governo consolida a imagem de uma gestão que combina queda da criminalidade, reorganização fiscal e ampliação de obras e serviços. É essa narrativa que Caiado busca deixar como herança administrativa para Vilela na transição de fim de março.

Da Redação

Fred Lima

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