Agência Senado

Flávio Bolsonaro descarta invasão dos EUA ao Brasil e defende enquadrar facções como terroristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, afirmou nessa segunda-feira, 6, que não vê possibilidade de Donald Trump “invadir o Brasil”. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., em meio ao debate sobre a eventual classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Segundo o senador, a hipótese de uma ação desse tipo não passa de “narrativa do medo”. Na entrevista, ele disse que não há “a menor possibilidade” de isso ocorrer e atribuiu o discurso ao esforço de atingir parte do eleitorado.

Flávio também defendeu que grupos como PCC e Comando Vermelho sejam tratados como organizações terroristas. Ao justificar a posição, associou o tráfico de armas e de drogas a redes terroristas e criticou a postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema.

A discussão ganhou força após autoridades e analistas passarem a debater os efeitos de uma eventual mudança de enquadramento por parte dos EUA. O principal argumento de setores do governo e de especialistas em segurança é que a medida pode abrir um contencioso diplomático e afetar a soberania brasileira. Em março, o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que a designação de PCC e CV como grupos terroristas poderia levar os EUA a tratar a segurança pública brasileira sob uma ótica militar, com risco de sanções e operações extraterritoriais.

Pela legislação brasileira, o terrorismo é disciplinado pela Lei 13.260, de 2016. A norma trata do crime de terrorismo e reformula o conceito de organização terrorista, em separado da legislação sobre organizações criminosas.

No centro da controvérsia está justamente essa diferença de enquadramento. Para aliados de Flávio, a classificação endureceria o combate às facções. Para críticos da proposta, a mudança pode ampliar a interferência externa em um tema que hoje é tratado pelo Brasil como caso de segurança pública e crime organizado.

Da Redação

Fred Lima

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