Renato Alves/Agência Brasília.
Na Lupa: Ibaneis volta atrás e declara apoio a Celina após o estrago que favoreceu a oposição
Desde a briga pública entre o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora Celina Leão (PP), a única vencedora foi a oposição. A partir daí, nomes do grupo que fez o DF retroceder passaram a fomentar a ideia de que o governo vai mal das pernas e precisa ser trocado.
Em obras e infraestrutura, o governo Ibaneis supera os dois anteriores. A diferença é tão grande que a comparação se torna humilhante para Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB).
Há quem argumente que Ibaneis teve dois mandatos, enquanto Agnelo e Rollemberg tiveram apenas um. Mesmo no recorte de 2023 a 2026, segundo mandato do emedebista, a vantagem permanece ampla.
Nesse período, foram realizadas 6.277 obras relevantes. Agnelo registrou cerca de 5 mil, muitas delas sem expressão, incluindo ações de manutenção, zeladoria, pequenos reparos e serviços urbanos, como pintura de meio-fio, poda de árvores, capina, retirada de entulhos, tapa-buracos e limpeza de bocas de lobo. Rollemberg somou somente 1.847 obras. Depois de Joaquim Roriz, Ibaneis foi o governador que mais entregou obras relevantes para a capital.
O ex-governador agiu de forma sábia ao voltar atrás e declarar apoio à reeleição de Celina. Ele constatou que o tiro saiu pela culatra quando reuniu parte da cúpula do MDB local para praticamente declarar, em outras palavras, o rompimento com o novo governo. O ônus acabou sendo muito maior do que o bônus, situação em que somente a oposição lucrou. Além disso, o alvo principal dos adversários não foi Celina, mas o próprio Ibaneis.
Com o gesto de reconciliação, o ex-governador protege não apenas o grupo político de centro-direita do qual faz parte, mas também seu desempenho eleitoral na disputa pelo Senado.
Imagine um cenário em que o grupo se divida e Ibaneis passe a ser atacado por antigos aliados, além de enfrentar toda a oposição. Seria um massacre em praça pública. De modo parecido, Celina seria alvo do grupo do ex-governador e também da oposição. O resultado dificilmente seria outro: derrota nas urnas para ambos.
De agora em diante, o alvo dos dois deve ser impedir que Brasília caia nas mãos dos pandoristas, que colocaram a cidade nas páginas policiais, e dos esquerdistas, cuja incompetência para gerir Brasília resultou em três governos com baixíssima popularidade e sem reeleição.
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