Ilustração produzida com IA/LP
Na Lupa: Arruda mantém a oposição em sua órbita e a arrasta ao matadouro eleitoral
Desde antes do início da campanha eleitoral, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) já sabia que dificilmente conseguiria manter sua candidatura de pé. Se há uma coisa que Arruda nunca será, é ingênuo.
Durante a eleição, Arruda trouxe os demais candidatos para jogarem o seu jogo de protagonista da oposição. Com isso, Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo) foram reduzidos a coadjuvantes do grupo adversário a governadora Celina Leão (PP), enquanto o ex-governador passou a ser o centro das atenções. Só que, assim como na Batalha da Floresta de Teutoburgo, no ano 9 d.C., quando Arminius conduziu as legiões romanas de Públio Quintílio Varo para um terreno escolhido por ele e transformou a aparente marcha em uma armadilha, Arruda fez com que os demais postulantes caíssem em uma arapuca, na qual criaram dependência e vinculação ao ex-governador. Nesse caso, se ele perder votos, eles não irão para nenhum outro integrante da oposição, mas para a situação, como tem acontecido.
Com essa estratégia capciosa, Arruda evita se tornar alvo dos demais candidatos e, assim, escapa de críticas. Quem vai atacar o capitão de sorriso largo e carequinha lisa? Ao mesmo tempo, mantém a liderança do time de oposição, mesmo com a candidatura sub judice. Como os demais jogadores permanecem à sua sombra, têm dificuldade para crescer nas pesquisas.
Arruda adotou uma lógica simples: “Se eu não posso, ninguém mais pode.” Ao entrar na disputa e concentrar em torno de si o campo adversário, acabou arrastando a oposição para o mesmo impasse de sua candidatura.
Ele tem sido um grande cabo eleitoral da governadora. De quebra, pode levar consigo toda a oposição para o buraco. É o típico líder Narciso, que não aceita dividir espaço com outra liderança do mesmo grupo.
Tudo indica que sua última tacada eleitoral foi disputar um pleito no qual já sabia que não conseguiria levar a candidatura adiante, mas mantendo-se como líder do grupo, sem perder o comando sobre os concorrentes suprapartidários. Levou a esquerda e a centro-direita para o abate.
Só restou, fora de suas garras, a direita representada por Celina. Na última pesquisa Datafolha, a chefe do Executivo local avançou 10 pontos percentuais, enquanto Arruda recuou 11 pontos em relação ao levantamento de agosto. Os números indicam a migração desse eleitorado para a governadora, reforçando a leitura com a lupa de que a permanência do ex-governador no centro da oposição paralisa o crescimento dos demais candidatos.
O bonde do Arruda: quem gruda cai na armadilha e termina no matadouro eleitoral.
Da Redação
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