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Celina anuncia reforço na saúde, defende Vai de Graça e abre portas ao PSD no Vozes da Comunidade

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou nesta sexta-feira (25) que pretende ampliar a rede de saúde, implantar gradualmente o transporte gratuito e manter programas sociais caso conquiste um novo mandato. Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte, ela também defendeu o BRB, falou sobre segurança pública e deixou as portas abertas para integrantes do PSD que decidirem apoiar sua candidatura.

A saúde ocupou boa parte da entrevista. Celina reconheceu problemas estruturais na rede pública e afirmou que o governo trabalha na contratação de profissionais, na reforma de hospitais e na implantação de um novo sistema para integrar as informações dos pacientes.

Segundo a governadora, quase 700 médicos foram contratados desde que ela assumiu o GDF. Ela também afirmou que outros 300 generalistas chegaram recentemente para reforçar os serviços de urgência e emergência.

Celina disse ainda que o governo trabalha para atender 20 mil pacientes que aguardavam cirurgias eletivas e 200 mil pedidos de consultas. Na avaliação dela, o problema da saúde não deve ser medido apenas pelo tamanho das filas, mas pelo período que cada paciente precisa esperar.

“Nenhum candidato que fala em zerar fila está falando a verdade com a população. Porque você tem uma fila pequena, amanhã ela aumenta. Então, você tem que falar em tempo de espera. Você tem que ter um tempo digno de espera”, afirmou.

A governadora também anunciou a previsão de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), cinco delas ainda neste ano. Segundo Celina, o governo investe cerca de R$ 100 milhões em reformas dentro dos hospitais e trabalha para instalar tomógrafos nas unidades que ainda dependem do transporte de pacientes para a realização dos exames. As medidas para a saúde também foram detalhadas durante a entrevista e confirmadas em relatos publicados após o programa.

Na educação, Celina afirmou que o orçamento previsto para o próximo ano permitirá novas contratações. A expectativa apresentada por ela é chamar pelo menos 2,5 mil servidores de forma imediata, principalmente professores.

A governadora também citou a redução da demanda por vagas em creches e afirmou que seis novas unidades estão em construção. Segundo ela, o próximo passo será ampliar a educação em tempo integral.

“A educação integral é a nossa meta”, declarou.

Outro tema de destaque foi o Vai de Graça. Questionada sobre como pretende financiar a ampliação da gratuidade no transporte público, Celina afirmou que o GDF realiza uma auditoria nos contratos das empresas e estuda alterar o modelo de remuneração.

Segundo a governadora, o Distrito Federal gasta atualmente quase R$ 2 bilhões em subsídios ao sistema. Ela argumentou que uma mudança contratual pode permitir a ampliação da gratuidade sem aumento equivalente da despesa.

“Dá para fazer, dá para fazer”, afirmou.

Celina disse que a implantação seria gradual. Pela proposta apresentada na entrevista, pessoas inscritas no Cadastro Único estariam entre as primeiras beneficiadas. A governadora também afirmou que pretende chegar a 100% da frota de ônibus com ar-condicionado.

A situação do Banco de Brasília (BRB) também entrou na sabatina. Celina defendeu que a instituição não seja transformada em instrumento da disputa eleitoral e voltou a cobrar do governo federal o cumprimento do acordo discutido no Supremo Tribunal Federal (STF).

“A gente não pode politizar a situação do BRB. É um erro as pessoas atacarem o BRB do jeito que os meus adversários atacaram”, disse.

Celina também criticou declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o banco e afirmou que o GDF mantém conversas com instituições financeiras internacionais em busca de alternativas para fortalecer o BRB. A crítica e a alegação de que manifestações políticas prejudicam a instituição representam a avaliação da própria governadora.

Na área social, Celina destacou programas destinados às mulheres vítimas de violência. Entre eles, citou o Viva Flor, o aluguel social, iniciativas de capacitação profissional e o aplicativo Mulher Segura DF.

A governadora afirmou que a rede de equipamentos destinados ao atendimento feminino passou de 15 para 30 unidades. Também defendeu políticas voltadas à autonomia financeira das mulheres como parte do enfrentamento à violência doméstica.

“Quando você está envolvido emocionalmente, muitas vezes quer preservar o companheiro ou o relacionamento e não tem coragem de denunciar”, afirmou.

Celina também abordou a política para pessoas em situação de rua. Segundo ela, o governo identificou 450 pontos ocupados e já realizou ações em 410 deles. A governadora defendeu o acolhimento como primeira medida e afirmou que a internação involuntária deve ser usada somente em situações extremas, quando houver risco à própria pessoa ou a terceiros.

“Eu não estou fazendo higienização social, eu estou acolhendo. Mas a inércia não parece comigo. Eu vou tomar decisão”, declarou.

Na segurança pública, Celina afirmou que as forças do Distrito Federal estão preparadas para as eleições. Segundo ela, foi apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) um plano de trabalho e o sistema DF360 será utilizado no monitoramento durante a votação.

“A população pode ficar tranquila, que ela vai poder ir votar e escolher o candidato da sua preferência. Proteger a democracia é uma obrigação de qualquer governador, de qualquer presidente da República”, afirmou.

A entrevista também entrou diretamente na disputa eleitoral. Questionada sobre a possibilidade de integrantes do PSD procurarem sua campanha após o indeferimento da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda, Celina afirmou que está aberta ao diálogo.

A governadora lembrou que candidatos do Avante já formalizaram apoio à sua candidatura e disse que adotará postura semelhante caso integrantes do PSD decidam procurá-la.

“O PSD, se vier, todos os candidatos terão portas abertas para que a gente possa dialogar”, afirmou.

Celina disse ainda que mantém relações pessoais com políticos que hoje estão em campos adversários e procurou separar os embates eleitorais das relações fora da campanha.

“Eu não tenho inimigos. Eu tenho adversários políticos. Vai passar a campanha e cada um vai cuidar da sua vida”, declarou.

A abertura ao PSD ocorre após a mudança provocada na disputa pelo Governo do Distrito Federal pela decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que manteve o indeferimento do registro de Arruda. O Avante, por sua vez, já se aproximou da campanha de Celina, conforme ela relatou durante a entrevista.

Ao longo da participação no Vozes da Comunidade, Celina alternou o balanço dos primeiros meses à frente do Palácio do Buriti com compromissos para um eventual novo mandato. Saúde, transporte gratuito, educação e programas sociais foram apresentados como prioridades, enquanto a parte política da entrevista mostrou a governadora aberta a ampliar sua base de apoio nos últimos dias antes do primeiro turno.

Da Redação

Fred Lima

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