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Roberta Luchsinger quer fazer delação premiada e diz que não poupará Lula nem Lulinha
Investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, empresária afirma que pode revelar informações ainda desconhecidas pelas autoridades; presidente nega envolvimento
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, neste sábado (17), que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Investigada pela Polícia Federal (PF), ela disse possuir informações que poderiam contribuir para as apurações sobre suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
“Eu não vou poupar ninguém”, declarou a empresária, ao afirmar que está disposta a colaborar com os investigadores. Segundo Roberta, as informações que poderá apresentar vão além das mensagens de WhatsApp já analisadas pela Polícia Federal.
A lobista afirmou que presenciou conversas e situações envolvendo pessoas ligadas ao governo. Ela também disse que poderá esclarecer detalhes de encontros e projetos discutidos fora dos aplicativos de mensagens.
“Eu quero fazer uma delação premiada”, afirmou. Apesar da manifestação, não há confirmação de que um acordo de colaboração tenha sido firmado ou aceito pelas autoridades.
Empresária é investigada pela Polícia Federal
Roberta Luchsinger, de 41 anos, é diretora da RL Consultoria e Intermediações. Ela e Lulinha são investigados por suspeitas de tráfico de influência envolvendo órgãos do governo federal.
A empresária foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre as medidas determinadas contra ela estão buscas e apreensões, bloqueio de bens e valores e uso de tornozeleira eletrônica.
A Polícia Federal investiga possíveis relações entre a empresária, o filho do presidente e pessoas envolvidas nas irregularidades. As suspeitas ainda dependem de comprovação, e a existência de uma investigação não significa condenação.
Roberta reage às críticas de Lula
A intenção de colaborar com a Justiça foi anunciada após uma série de críticas públicas do presidente à empresária.
Em entrevistas recentes, Lula chamou Roberta de “pilantra” e a comparou ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Roberta reagiu às declarações e acusou o presidente de tentar responsabilizá-la pelos fatos investigados. Ela também afirmou que considera injustas as medidas adotadas contra si e alegou que a estrutura do governo estaria sendo utilizada para prejudicá-la.
“Não serei o boi de piranha”, declarou a lobista, acrescentando que pretende se defender e responder judicialmente por eventuais irregularidades que venham a ser comprovadas.
Governo Lula nega acusações
Em nota divulgada após a entrevista, a equipe de comunicação do presidente afirmou que Lula desconhece os fatos relatados por Roberta Luchsinger.
Segundo o comunicado, o presidente nunca manteve interlocução com a empresária, não recebeu demandas dela e desconhece as supostas negociações mencionadas. A equipe também afirmou que não existe contrato do governo federal com Roberta.
O posicionamento questionou ainda a divulgação das declarações às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Na avaliação da equipe de Lula, acusações sem comprovação podem interferir no debate eleitoral.
A defesa de Lulinha também já negou irregularidades e afirmou que ele não autorizou a empresária a atuar em seu nome.
A eventual delação de Roberta Luchsinger dependerá de procedimentos legais e da avaliação das autoridades competentes. Até o momento, suas declarações representam a disposição de colaborar com as investigações, não a comprovação de crimes atribuídos às pessoas citadas.
Da Redação
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