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Dólar dispara mais de 12% e chega a R$ 5,60 após reeleição de Lula; Bolsa tem negociações interrompidas
Mercado financeiro reage ao resultado do segundo turno com forte alta da moeda americana e queda dos contratos futuros do Ibovespa; investidores demonstram preocupação com os rumos da política econômica
O dólar disparou mais de 12% na manhã desta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 9h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,60, com valorização de 12,52% em relação ao fechamento de sexta-feira (23). A reação também atingiu a Bolsa brasileira, que registrou quedas acentuadas nos contratos futuros do Ibovespa e interrupções nas negociações.
A turbulência ocorreu depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no segundo turno da eleição presidencial, realizado neste domingo (25). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário.
O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na eleição de Flávio e em uma política econômica com maior controle dos gastos públicos.
Dólar salta de R$ 4,99 para R$ 5,60
Na sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, o dólar havia encerrado as negociações cotado a aproximadamente R$ 4,99, com queda de 0,9%.
Nesta segunda-feira, a moeda americana abriu em forte alta. Por volta das 9h, já registrava valorização de 8,65%, chegando a R$ 5,42. Meia hora depois, a cotação alcançou R$ 5,60, com avanço superior a 12%.
O movimento representa uma rápida desvalorização do real diante da moeda norte-americana. A alta também foi mais intensa do que a registrada pelo dólar no mercado internacional, indicando uma reação concentrada nos ativos brasileiros.
As cotações representam os valores observados durante a manhã e podem mudar até o encerramento do pregão.
Ibovespa futuro despenca e aciona mecanismos de proteção
A instabilidade também atingiu os contratos futuros do Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira.
Durante a manhã, o índice futuro chegou a registrar queda de 19,78%. A intensidade do movimento provocou a interrupção das operações pelos mecanismos de proteção da B3, conhecidos como circuit breakers.
Esses dispositivos suspendem temporariamente as negociações quando as oscilações ultrapassam determinados limites. O objetivo é reduzir os riscos provocados por movimentos bruscos de preços.
Mesmo após a ampliação dos limites de oscilação e a retomada das operações, os contratos futuros voltaram a atingir as travas de negociação.
O movimento no mercado futuro sinalizou a forte pressão sobre os ativos brasileiros no primeiro pregão após a eleição.
Investidores demonstram preocupação com as contas públicas
A reação negativa do mercado está relacionada, principalmente, às expectativas dos investidores sobre a condução da política fiscal durante o próximo mandato de Lula.
Analistas apontam preocupação com o crescimento da dívida pública, o nível das despesas federais e a possibilidade de o governo não adotar medidas consideradas suficientes para equilibrar as contas.
A alta do dólar veio acompanhada de elevação expressiva dos juros futuros, taxas utilizadas pelo mercado como referência para o custo do dinheiro nos próximos meses e anos.
Na manhã desta segunda-feira, os contratos com vencimento em janeiro de 2031 chegaram a indicar juros próximos de 14,46% ao ano, refletindo uma percepção maior de risco entre os investidores.
Taxas elevadas podem encarecer financiamentos, dificultar investimentos das empresas e aumentar o custo de rolagem da dívida pública.
Empresas brasileiras também sofrem perdas no exterior
Os primeiros sinais de turbulência apareceram ainda antes da abertura do mercado brasileiro.
Na manhã desta segunda-feira, o EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações de grandes empresas brasileiras, chegou a registrar queda próxima de 27% nas negociações anteriores à abertura oficial da Bolsa americana.
No Japão, um fundo vinculado ao mercado acionário brasileiro também apresentou recuo expressivo durante a madrugada.
As ações de bancos e de outras companhias brasileiras negociadas no exterior sofreram forte pressão de venda.
Essas movimentações refletiram o ajuste das posições de investidores internacionais após a definição do resultado eleitoral.
Mercado havia reagido de forma diferente ao primeiro turno
O comportamento dos investidores nesta segunda-feira contrasta com o registrado em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno da eleição presidencial.
Na ocasião, Flávio Bolsonaro terminou a votação numericamente à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
No dia seguinte, o Ibovespa avançou 7,70%, enquanto o dólar caiu mais de 4%, em uma das maiores valorizações diárias do real nos últimos anos.
A expectativa de mudança na orientação econômica do governo impulsionou os ativos brasileiros naquele momento.
Agora, com a confirmação de mais um mandato de Lula, parte dessas expectativas está sendo revista, provocando ajustes bruscos nos preços dos ativos financeiros.
Próximos passos do governo estarão no centro das atenções
A reação inicial do mercado amplia a atenção sobre as medidas econômicas que Lula poderá anunciar para o mandato de 2027 a 2030.
Entre os principais pontos observados pelos investidores estão a definição da equipe econômica, a política de gastos públicos, as metas fiscais e as estratégias para controlar a dívida federal.
O comportamento do dólar, da Bolsa e dos juros nas próximas sessões dependerá tanto das decisões do governo quanto da evolução do cenário internacional.
Da Redação
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