Na Câmara Legislativa do DF, a nova política tem a cara enrugada

Foto: Reprodução

Por Fred Lima

Eleito com 29.420 votos, o delegado Fernando Fernandes (PROS) acabou trocando a cadeira de deputado distrital pela de administrador da Ceilândia, seu reduto eleitoral. Daniel Donizet (PSDB) tomou o mesmo rumo e agora administra o Gama. Quem agradeceu foram os suplentes, porém, o ato de trocar o Legislativo pelo Executivo é uma prática arcaica que caminha na contramão da nova política que surge no horizonte do país.

Obter cargos no governo local para votar a favor de projetos do Executivo é outra ação lastimável por parte dos parlamentares. Neste caso, toda a base aliada seguiu à risca o modos operandi das legislaturas anteriores e cobrou a fatura. Existe distrital que acumula na bagagem mais de duas administrações regionais, um número espantoso para quem vestiu a roupagem da nova política durante a campanha.

Nesta quarta-feira (3), o portal Metrópoles publicou a notícia de que o deputado distrital Reginaldo Sardinha (Avante) tentou nomear 12 apadrinhados na Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe). A prática é recorrente na política distrital e tratada como mero expediente nas relações entre GDF e Câmara.

Os deputados que não recorrem às práticas da velha política no que diz respeito à obtenção de cargos no governo acabam cedendo ao populismo, outro método atrasado.

Após ganhar uma vaga na CLDF, a então deputada eleita Júlia Lucy (Novo) prometeu utilizar apenas os serviços públicos durante o seu mandato. Tal promessa se confirmou no mês passado, quando a distrital foi ao posto de saúde do Guará para ser atendida. O gesto de Júlia pode até revelar desprendimento, mas não reflete em melhorias para o cidadão.

Entra legislatura, sai legislatura e a política na Câmara Legislativa permanece inalterada. O sábio Jofran Frejat (PR) já dizia na pré-campanha: “A classe política do DF não quer aprender com os escândalos nacionais e insiste em trilhar o mesmo caminho que levou o país às páginas policiais”.  

Infelizmente, a nova política que nasceu no parlamento local sofre de envelhecimento precoce.

Da Redação

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