Bolsonaro nega ter autorizado suspeito a entrar em condomínio e acusa Witzel de vazar informações sobre caso Marielle

Em transmissão ao vivo direto da Arábia Saudita, presidente ressaltou que estava em Brasília no dia da morte da vereadora do PSOL

Em transmissão ao vivo em sua página no Facebook na noite desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não autorizou a entrada de Élcio Queiroz, suspeito de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em seu condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em 14 de março de 2018, dia do crime. O presidente também acusou o governador Wilson Witzel (PSC-RJ) de vazar detalhes sobre a investigação para prejudicá-lo. As informações às quais o presidente se referiu foram veiculadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Segundo o “JN”, registros da portaria onde morava o principal suspeito de matar a vereadora e o motorista Anderson Gomes, o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, mostram que horas antes do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz entrou no condomínio e disse que iria para a casa de Bolsonaro.

Durante os 23 minutos em que falou direto da Arábia Saudita, onde está em visita oficial, Bolsonaro apresentou motivos que mostraram o porquê ele não poderia ter autorizado Élcio Queiroz, suspeito de assassinar Marielle, a entrar no Condomínio Vivendas da Barra naquela ocasião.

Bolsonaro mencionou os registros de presença da Câmara dos Deputados, também veiculados pelo Jornal Nacional, que atestam a presença dele no dia do assassinato.

— Eu tenho registrado no painel eletrônico da Câmara em Brasília 31 minutos depois da entrada desse elemento no condomínio. E também tenho às 19h36. E no dia anterior e posterior — afirmou Bolsonaro, em referência aos horários que constam no registro também obtido pelo Jornal Nacional.

De acordo com o JN, o porteiro que trabalhava na guarita que controla os acessos ao condomínio no dia do crime registrou no livro de visitantes, às 17h10, o nome de Élcio, o modelo do carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58.

Ainda segundo o JN, o porteiro contou que, depois que Élcio se identificou na portaria e disse que iria para a casa 58, ele ligou para a residência para confirmar se o visitante tinha autorização para entrar. Ele afirmou ainda, em dois depoimentos, que identificou a voz de quem atendeu como sendo a do “seu Jair”.

Ao atacar Witzel por supostamente ter vazado as informações, Bolsonaro questionou como a TV Globo teria obtido as informações e sugeriu que o porteiro pode ter sido induzido a depor desta maneira para prejudicar a família Bolsonaro.

— Esse processo está em segredo de justiça. Como chega na Globo? Quem vazou para a Globo? Segundo a Veja, quem vazou foi o seu governador Witzel. Ele que explique. O que cheira isso aqui?O que parece? Que ou o porteiro mentiu ou induziram o porteiro a produzir falso testemunho. Ou escreveram algo que ele não leu — disse Bolsonaro.

Bolsonaro também afirmou que Witzel só foi eleito porque “colou” no senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) durante as eleições do ano passado. Depois disso, de acordo com o presidente, o governador teria se afastado de Flávio porque pretende ser candidato à Presidência em 2022 — embora considere o desejo legítimo, Bolsonaro disse que vê “sede de poder” em Witzel. Para o presidente, a finalidade de Witzel seria “acabar com a família Bolsonaro”. As informações são do O Globo.

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