Hegon Corrêa

Caiado associa caso Jaques Wagner à marca de corrupção do PT

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, nesta quinta-feira, 18, que as suspeitas envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, reforçam o que chamou de “marca forte do PT”. A declaração foi dada a jornalistas em São Paulo, no mesmo dia em que Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Pré-candidato à Presidência da República, Caiado disse não ter ficado surpreso com a inclusão do petista na investigação sobre o caso Banco Master. “Não existe nenhum escândalo no Brasil que não tenha a digital do PT”, afirmou. Segundo ele, dirigentes do partido são “extremamente complacentes” com a corrupção.

A fala de Caiado amplia o uso político da Operação Compliance Zero na disputa presidencial de 2026. O caso já atingiu nomes de diferentes campos partidários e passou a alimentar o debate sobre corrupção, sistema financeiro e influência política em Brasília.

A Polícia Federal deflagrou a nova fase da operação na manhã de quinta-feira. Segundo a corporação, o objetivo é apurar a participação de agente público em suposto esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Além das buscas, a decisão incluiu medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes. A PF informou que os fatos apurados podem configurar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Jaques e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, estão entre os alvos da operação. Wagner é um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ocupa posição central na articulação do governo no Congresso.

Em entrevista, Wagner negou ter recebido dinheiro ou vantagens indevidas do Banco Master. O senador afirmou que valores encontrados pela polícia eram recursos de diárias pagas pelo Senado em viagens oficiais. A bancada do PT no Senado declarou “plena confiança” no parlamentar e disse apoiar a investigação.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências eram desnecessárias e disse que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses. Segundo a defesa, as medidas devem demonstrar que os fatos investigados são lícitos.

Caiado também afirmou que só pretende apresentar seu programa de governo depois da Copa do Mundo. Até lá, o pré-candidato tenta ocupar espaço como nome da direita e da centro-direita em meio ao desgaste de adversários atingidos pelo caso Master.

Da Redação

Fred Lima

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