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Na Lupa: O ‘Ponto de equilíbrio’ do centro deve eleger Ferraço no Espírito Santo
A disputa pelo governo do Espírito Santo vem ganhando forma e consolidando a dianteira do governador Ricardo Ferraço (MDB). O chefe do Executivo estadual ocupa hoje um espaço que vai do centro à centro-direita capixaba. O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), por sua vez, concentra apoio sobretudo na bolha bolsonarista, mais restrita ideologicamente. A centro-esquerda também se aproximou de Ricardo, e não de Lorenzo. Renato Casagrande é filiado ao PSB, partido situado nesse espectro político, e tende a transferir parte desse eleitorado ao atual governador. Esse desenho coloca Ferraço em posição de vantagem.
A resistência mais clara a Ricardo deve vir da esquerda ligada ao PT, que tem Helder Salomão como candidato. Em um eventual segundo turno, esse grupo dificilmente apoiaria Ferraço ou Pazolini. Partidos como PSB e PDT, identificados com a centro-esquerda, integram a aliança do governador e ampliam a abrangência de sua base.
A disputa pelo Palácio Anchieta, portanto, tende a ultrapassar a divisão simplista entre esquerda e direita. O debate deverá passar principalmente pela experiência dos candidatos, pela capacidade de articulação política e pelos resultados apresentados ao eleitorado.
Nesse aspecto, Ferraço carrega uma vantagem importante. Foi vice de Casagrande e representa a continuidade de uma administração que, segundo o Paraná Pesquisas, alcançou 81,9% de aprovação em fevereiro de 2025, a maior já registrada por um governo estadual no Espírito Santo.
Pazolini enfrenta um desafio diferente. Administrar Vitória não equivale a comandar um Estado formado por 78 municípios, com realidades econômicas, sociais e administrativas distintas. A experiência na capital, por si só, não elimina as dúvidas sobre sua capacidade de ampliar essa atuação para todo o Espírito Santo.
O republicano queimou etapas na trajetória política ao disputar o governo sem antes acumular experiência em cargos de projeção federal. Renato e Ricardo, por exemplo, passaram pelo Congresso Nacional antes de chegar ao núcleo do Executivo estadual. Essa diferença de trajetória tende a ser explorada durante a campanha como argumento sobre preparo, experiência e capacidade para governar o Estado.
À medida que a campanha avançar e chegar à metade, a tendência, na avaliação de aliados de Ferraço, é que ele amplie a distância sobre Pazolini nas pesquisas e consolide o favoritismo.
Para os eleitores mais identificados com o bolsonarismo radical, Ricardo é visto como alguém que se aproximou demais da esquerda. Para a esquerda petista, porém, ele está no campo da direita. Quando era senador, Ferraço chegou a protagonizar um bate-boca com Lindbergh Farias, hoje uma das principais vozes do PT, durante reunião da Comissão Especial do Impeachment de Dilma Rousseff no Senado.
Ricardo, assim, tenta ocupar uma faixa mais ampla do eleitorado. O governador soube atrair, com moderação, o eleitor de centro sem ficar em cima do muro. Ele conseguiu isso ao colocar em prática o slogan de seu partido, “Ponto de equilíbrio”, algo que falta aos extremos, seja de direita, seja de esquerda.
Da Redação
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