Paulo Giandalia / AE
Amiga de Lulinha comprou R$ 9,2 mil em joias para ex-chefe de gabinete de Lula, aponta investigação
A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, comprou cerca de R$ 9,2 mil em joias a pedido de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A negociação aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal em investigações derivadas das apurações sobre fraudes no INSS.
As peças, de diamantes, seriam destinadas a presentes do Dia das Mães de 2024. Segundo os diálogos analisados pela PF, Marcola teria participado da escolha por meio de fotografias trocadas com Roberta. Uma das despesas chegou a R$ 9,2 mil.
A defesa de Marcola afirma que a compra não representou presente ou vantagem indevida. Segundo ele, os valores pagos por Roberta faziam parte de um empréstimo de R$ 217 mil. O ex-assessor afirma ter devolvido R$ 249 mil, já com correção.
Marcola também declarou anteriormente que nunca manteve relação que caracterizasse ilegalidade no exercício da função pública. Ele deixou a chefia de gabinete em julho e passou a atuar na coordenação da campanha de Lula à reeleição.
Relação com Lulinha é investigada
Roberta também aparece em investigações sobre a atuação de Lulinha. A PF identificou mensagens que, na avaliação dos investigadores, indicariam uma relação entre os dois que poderia ir além da amizade, com conversas sobre negócios e reuniões. O filho do presidente é investigado em três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência. Os procedimentos tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa de Lulinha questionou a autenticidade e a forma de obtenção de parte do material divulgado e criticou o vazamento de trechos das investigações antes de ter acesso integral aos autos. Os advogados afirmam que vão se manifestar formalmente depois de analisar todo o conteúdo.
Minuta para negócio no Ministério da Saúde
Outra frente da investigação mostra que Roberta encaminhou a Marcola uma minuta de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde com dispensa de licitação. O ex-chefe de gabinete confirmou ter recebido o documento, mas afirmou que não o repassou a integrantes do governo. A proposta não avançou.
Segundo a apuração, Roberta mantinha relação profissional com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Investigadores apuram se ela recebeu recursos para tentar viabilizar negócios junto ao governo federal.
A defesa da empresária informou que não comentará o conteúdo das apurações enquanto os processos permanecerem sob sigilo.
Em julho, Lula afirmou que o filho não terá tratamento privilegiado nas investigações e deverá responder às apurações caso seja constatada alguma irregularidade.
Da Redação
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