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Caiado mira Lula e Flávio e diz que Brasil não pode ser ‘República dos filhos complicados’
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, voltou a mirar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta sexta-feira (21). Em uma publicação nas redes sociais, o ex-governador de Goiás afirmou que o Brasil não pode se transformar na “República dos filhos complicados”.
Caiado não citou Lula nem Flávio nominalmente na mensagem. A declaração, porém, ocorre após uma sequência de críticas do candidato aos dois principais adversários na corrida pelo Palácio do Planalto. De um lado, estão as investigações que atingem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Do outro, os questionamentos sobre a participação de Flávio na busca de recursos para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ofensiva faz parte da estratégia de Caiado para tentar ocupar um espaço eleitoral fora da polarização entre Lula e o grupo Bolsonaro. Nos últimos dias, ele passou a tratar a discussão sobre integridade e transparência como um dos argumentos para diferenciar sua candidatura.
Lulinha é investigado em três inquéritos
Fábio Luís é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência. Duas investigações estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e outra é acompanhada pelo ministro Flávio Dino. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade.
Uma das apurações investiga a suspeita de atuação para favorecer a World Cannabis em negócios relacionados ao Ministério da Saúde. Outra verifica uma possível interferência em favor de interesses empresariais envolvendo a Dataprev. A terceira também apura suspeitas de tráfico de influência.
Lula afirmou que o filho não terá privilégios. O presidente disse acreditar na inocência de Fábio Luís, mas declarou que ele deverá responder caso seja comprovada alguma irregularidade.
Flávio é cobrado por financiamento de filme
Caiado também tem usado o caso Dark Horse para pressionar Flávio Bolsonaro. O senador confirmou que pediu recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção sobre Jair Bolsonaro. Vorcaro repassou cerca de R$ 61 milhões ao projeto. Flávio nega ter recebido benefício pessoal ou oferecido qualquer vantagem em troca do dinheiro.
O candidato do PSD já havia afirmado que suas cobranças a Flávio não seriam ataques pessoais, mas exigências de transparência. Caiado também tem contestado a ideia de uma transferência automática do eleitorado de Jair Bolsonaro para o filho e defende que a eleição presidencial seja decidida pelo histórico e pelo desempenho de cada candidato.
A estratégia coloca Caiado simultaneamente contra os dois nomes que concentram a maior parte das intenções de voto. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou Lula com 39% no primeiro turno e Flávio com 33%. Caiado aparece com 5%, tecnicamente empatado com Renan Santos, que tem 4%, e Romeu Zema, com 3%. O levantamento ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades e tem margem de erro de dois pontos porcentuais.
Da Redação
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