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Na Lupa: Daniel joga a batata quente do Master no colo de Marconi e vence o debate
No último domingo (30), a PUC TV realizou um debate entre os candidatos ao governo de Goiás. Participaram o atual governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e o ex-deputado estadual Luís César Bueno (PT).
O que se viu foi um Marconi de olhos esbugalhados, dedo em riste, gesticulando o tempo todo e buscando atacar até mesmo a honra do governador. Talvez pelo nervosismo, o ex-governador, ao pedir direito de resposta, acabou cometendo uma gafe: solicitou “direito de corrupção”, antes de se corrigir imediatamente.
Um dos momentos mais desconfortáveis para Perillo ocorreu quando Daniel jogou uma verdadeira batata quente no colo do tucano ao perguntar qual serviço ele prestou ao Banco Master para receber cerca de R$ 15 milhões. A pergunta era direta e exigia uma resposta igualmente direta. O ex-governador, porém, não explicou qual trabalho realizou, qual era o objeto da consultoria nem por que recebeu aquele valor. Preferiu afirmar que atuou “dignamente” na iniciativa privada e tentou deslocar o debate para críticas ao governo estadual.
A batata quente permaneceu no colo de Marconi até o fim. Vilela percebeu a fragilidade da resposta e voltou ao tema, reforçando diante do eleitor que a principal dúvida continuava sem esclarecimento. O tucano teve nova oportunidade para explicar o serviço prestado, mas novamente não entrou no mérito. Nesse ponto, o governador levou vantagem clara: não precisou elevar o tom nem construir uma longa acusação. Bastou repetir uma pergunta simples que o adversário não conseguiu responder. Em um debate eleitoral, poucas situações são mais prejudiciais do que deixar no ar uma dúvida dessa dimensão sem oferecer uma explicação objetiva.
Wilder e Perillo trocaram figurinhas durante todo o debate, numa amostra do que pode ocorrer em um eventual segundo turno, quando o candidato do PL tende a apoiar o tucano. Do ponto de vista ético, porém, esse apoio poderá cobrar um preço alto à imagem do senador goiano, caso se concretize, diante da elevada rejeição de Marconi apontada por pesquisas eleitorais.
Como ocorre em outros estados onde candidatos do PT não aparecem competitivos, Luís César fez mais propaganda do presidente Lula do que de seu próprio programa de governo. A estratégia do partido é defender o legado do presidente da República em territórios mais hostis, onde seus candidatos ao Executivo têm poucas chances de vitória. É o caso de Goiás, estado em que Lula não vence uma eleição presidencial desde 2002.
Ao fim do debate, a impressão que ficou foi clara: a batata quente jogada no colo de Marconi não apenas assou, queimou.
Da Redação
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