Reprodução/Band
Flávio cobra Lula sobre Lulinha e INSS e apresenta propostas no debate da Band
Senador questionou o presidente sobre investigações envolvendo Lulinha, prometeu endurecer o combate ao crime organizado e anunciou medidas para reduzir o endividamento dos brasileiros
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentrou suas falas em segurança pública, corrupção, economia e saúde durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band na noite desse domingo (18). Frente a frente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato cobrou explicações sobre investigações envolvendo familiares do petista, apresentou propostas para combater o crime organizado e prometeu medidas para aliviar as dívidas de famílias e empresas.
O encontro, realizado a uma semana da eleição de 25 de outubro, foi marcado por interrupções, acusações pessoais e divergências sobre os resultados dos governos Lula e Jair Bolsonaro. Os candidatos também discutiram o Banco Master, as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a pandemia de covid-19 e as relações do Brasil com os Estados Unidos.
Flávio questiona Lula sobre Lulinha e investigação do INSS
Um dos momentos de maior confronto ocorreu no primeiro bloco, quando Flávio levou ao debate as declarações da empresária Roberta Luchsinger, investigada no contexto das apurações sobre irregularidades envolvendo o INSS.
O senador perguntou se Lula conhecia a empresária e cobrou esclarecimentos sobre a situação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Flávio também questionou a permanência dele na Espanha e levantou suspeitas sobre suas relações com pessoas investigadas.
Lula respondeu que o caso está sob responsabilidade da Polícia Federal e afirmou que seu filho colocou dados bancários e telefônicos à disposição das investigações. O presidente declarou que não pretende impedir a apuração de eventuais irregularidades envolvendo familiares.
Flávio insistiu no assunto ao longo do confronto e acusou o governo de não ter combatido adequadamente as fraudes contra aposentados. Lula rebateu e afirmou que sua administração desarticulou o esquema e iniciou a devolução dos valores descontados indevidamente.
Segurança pública: combate às facções e ampliação de presídios
Na primeira pergunta da noite, dedicada à violência, Flávio apresentou sua proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas.
O candidato prometeu intensificar as operações policiais, ampliar a fiscalização das fronteiras e recuperar territórios sob domínio de organizações criminosas. Também anunciou a intenção de construir mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário.
Flávio afirmou que pretende adotar leis mais rigorosas contra integrantes e dirigentes de facções. A classificação dessas organizações como terroristas, entretanto, dependeria de medidas legais e poderia produzir consequências jurídicas e diplomáticas.
Lula defendeu outra estratégia. O presidente citou a legislação antifacção aprovada durante seu governo e a proposta de emenda constitucional voltada à segurança pública. Segundo ele, a União precisa ampliar sua participação no enfrentamento ao crime organizado em parceria com estados e municípios.
O debate também abordou a saída temporária de presos. Flávio criticou o benefício e citou crimes cometidos durante períodos de liberdade. Lula defendeu a possibilidade de saída para detentos que preencham os requisitos legais, excluindo os responsáveis por crimes violentos.
Redução da maioridade penal e penas para crimes sexuais
No terceiro bloco, Flávio voltou ao tema da segurança e defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos.
O senador também prometeu propor ao Congresso a adoção da castração química para condenados por estupro. A medida envolve o uso de medicamentos para reduzir o impulso sexual e exigiria regulamentação e análise de sua compatibilidade com os direitos previstos na Constituição.
Flávio criticou a postura de parlamentares petistas em votações sobre segurança pública. Lula, por sua vez, questionou a atuação do adversário em episódios envolvendo policiais acusados de violência.
A discussão mostrou diferenças entre as propostas dos candidatos para punição, atuação policial e funcionamento do sistema prisional.
Dívidas: Flávio promete carência de seis meses para famílias e de um ano para empresas
Na economia, Flávio apresentou um programa de renegociação de dívidas. A proposta prevê um período de carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas.
Segundo o candidato, a iniciativa seria acompanhada de financiamentos com juros menores e prazos mais longos. O objetivo declarado é permitir que consumidores recuperem capacidade de compra e pequenos empresários reorganizem seus negócios.
Flávio também anunciou a criação de um Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional, ao empreendedorismo e à geração de renda.
A Caixa Econômica Federal teria participação na proposta. O senador afirmou que pretende utilizar o banco público para orientar pequenos empreendedores, facilitar a formalização de negócios e oferecer crédito.
Saúde: prontuário eletrônico e atendimento integrado pelo CPF
Ao tratar da saúde, Flávio prometeu integrar as informações dos pacientes em um prontuário eletrônico associado ao CPF. Segundo ele, o sistema reuniria dados das redes municipal, estadual, federal e privada.
A proposta inclui o uso de inteligência artificial e telemedicina para orientar pacientes e facilitar o encaminhamento a unidades de atendimento.
Flávio citou o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, como nome escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.
O senador afirmou que deseja levar à rede pública padrões de atendimento semelhantes aos de hospitais privados de referência.
Flávio defende mudança de posição sobre o fim da escala 6 por 1
Outro assunto abordado pelo senador foi o fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso.
Flávio afirmou que passou a apoiar a mudança depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo país. Segundo ele, a possibilidade de ampliar o período de folga contribuiu para a revisão de sua posição.
O candidato declarou que está disposto a reconsiderar opiniões quando entender que uma alteração pode beneficiar a população.
Debate termina com críticas e pedidos de direito de resposta
Durante o programa, Flávio solicitou direitos de resposta por declarações de Lula. Um dos pedidos foi aceito pela organização, e o senador utilizou o tempo para retomar propostas de segurança pública e empreendedorismo nas comunidades.
Os mediadores precisaram intervir em diferentes momentos para conter manifestações da plateia e garantir o cumprimento das regras.
Nas considerações finais, Flávio voltou a defender suas propostas e agradeceu aos eleitores que votaram nele no primeiro turno.
A votação que decidirá a Presidência da República está marcada para o próximo domingo, 25 de outubro.
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