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Na Lupa: De FHC a Cristovam e Aécio, a história ensina a Flávio os perigos do clima de ‘já ganhou’
Em uma eleição de segundo turno em que a diferença entre os dois candidatos está dentro da margem de erro das pesquisas de opinião pública, o clima de “oba-oba” e de “já ganhou” deve ser radicalmente rechaçado. A história eleitoral brasileira mostra vários episódios em que candidatos que lideravam as pesquisas e cantaram vitória antes da hora acabaram perdendo a eleição quando as urnas foram abertas.
Um exemplo ocorreu na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1985. Favorito nas pesquisas, o então senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB) chegou a posar para uma fotografia sentado na cadeira de prefeito, na véspera da votação, como se a vitória já estivesse garantida. Quando as urnas foram abertas, porém, quem venceu foi Jânio Quadros (PTB). A imagem entrou para a história como símbolo dos riscos de comemorar uma vitória antes da hora.
Outro episódio ocorreu na eleição para o Governo do Distrito Federal, em 1998. O então governador Cristovam Buarque (PT), que buscava a reeleição, terminou o primeiro turno à frente de Joaquim Roriz (PMDB) e chegou à reta final da campanha com pesquisas bastante favoráveis. Os dois protagonizaram um debate marcado por confrontos, no qual o petista chegou a humilhar o ex-governador. Roriz, no entanto, venceu com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Cristovam. A disputa mostrou, mais uma vez, que uma vantagem apertada nas pesquisas não garante vitória nas urnas.
Em 2014, Aécio Neves (PSDB) também sentiu o gosto amargo de uma vitória que parecia próxima. Nas primeiras pesquisas do segundo turno, o tucano aparecia à frente de Dilma Rousseff (PT), com 51% dos votos válidos, contra 49%. Mas a vantagem desapareceu, e a petista venceu a eleição. Meses depois, durante uma discussão no Senado, o então presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não poupou Aécio: “Vossa Excelência perdeu a chance de ser presidente da República porque é estrela.” Era uma crítica à vaidade que, na avaliação de Renan, teria custado a Presidência ao tucano.
Na eleição presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisa tomar cuidado, nestes momentos finais, para não ser picado pelo mosquito azul e cair na tentação de acreditar que já faturou o pleito. O PT carrega no currículo cinco vitórias e quatro derrotas em eleições presidenciais desde a redemocratização. Conhece como poucos o caminho das pedras. Embora o partido tenha perdido espaço no Congresso ao longo dos anos, sabe muito bem como disputar uma eleição para o Executivo.
A campanha de Flávio acertou em cheio ao afastar o coach Pablo Marçal da preparação do candidato do PL para o debate da Globo, que ocorrerá nesta sexta-feira (23), às 21h. No debate da Band, realizado no domingo (18), a influência de Marçal sobre Flávio ficou evidente. Em alguns momentos, o senador carioca parecia mais preocupado em lacrar do que em apresentar propostas, repetindo o estilo adotado pelo influenciador nos debates para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, quando chegou a figurar entre os primeiros colocados nas pesquisas, mas terminou a eleição em terceiro lugar.
A imagem que Flávio precisa transmitir à população brasileira no debate da Globo é a de um Bolsonaro equilibrado, com conteúdo e sem lacração. A esta altura da campanha, o pablismo e o bolsonarismo raiz precisam dar lugar a um estilo mais moderado, de centro-direita, capaz de dialogar também com os eleitores de centro que ainda estão indecisos.
Se repetir a fórmula do debate da Band, Flávio poderá afastar justamente esses eleitores e correr o sério risco de ter uma surpresa desagradável no domingo.
Da Redação
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