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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após derrota para Lula e repete decisão tomada pelo pai em 2022

Senador teria viajado aos Estados Unidos depois de ser proibido pelo STF de sair do País; Polícia Federal cancelou seus passaportes após descumprimento de ordem judicial

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27), dois dias após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Segundo informações de aliados, o destino do parlamentar são os Estados Unidos. A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibir viagens internacionais.

A decisão de Flávio lembra a atitude do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que viajou para os Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, após perder a eleição para Lula. Na ocasião, Jair deixou o País dois dias antes do término do mandato e não participou da cerimônia de posse do sucessor.

No caso de Flávio, porém, há uma diferença importante. O senador deixou o Brasil, segundo os relatos de pessoas próximas, mesmo depois de receber uma determinação judicial que o impedia de viajar.

Polícia Federal cancela passaportes de Flávio

Na segunda-feira (26), Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Flávio foi intimado após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

O prazo para a entrega dos documentos terminou às 11h desta terça-feira (27), sem que a determinação fosse cumprida. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar.

A medida está relacionada a uma investigação em andamento no STF. A decisão judicial foi adotada diante da preocupação das autoridades com a possibilidade de Flávio deixar o território brasileiro.

Até a tarde desta terça-feira, não havia confirmação pública sobre o trajeto utilizado pelo senador. Informações sobre uma possível passagem pela Argentina também não haviam sido comprovadas.

Aliados aconselharam senador a permanecer no Brasil

Antes de deixar o País, Flávio recebeu orientações de integrantes de sua campanha para permanecer em Brasília.

O assunto foi discutido em uma reunião realizada na tarde de segunda-feira (26), no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul.

Parte dos aliados defendia que o senador adotasse uma postura mais moderada após a derrota eleitoral. Eles também consideravam inadequado insistir no pedido de anulação do segundo turno.

A orientação era concentrar eventuais questionamentos em uma ação eleitoral sobre possíveis irregularidades na campanha, sem colocar em dúvida o resultado da votação de maneira generalizada.

Flávio, entretanto, demonstrou preocupação com a possibilidade de ser preso depois de perder o mandato parlamentar, que termina em janeiro de 2027.

Senador é investigado em dois inquéritos

Flávio Bolsonaro é investigado em dois procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Um deles envolve suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A investigação apura a origem e o destino de recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O outro inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, por meio de empresas ligadas ao setor de apostas e plataformas de pagamento.

Flávio nega irregularidades. O advogado também contesta as suspeitas.

As investigações ainda não representam condenação, e a responsabilidade dos envolvidos dependerá da conclusão dos procedimentos e de eventuais decisões judiciais.

Derrota eleitoral e futuro político

Flávio foi derrotado por Lula no segundo turno realizado no domingo (25). Após a divulgação do resultado, o senador afirmou que não reconhecia a vitória do adversário e anunciou a intenção de questionar judicialmente a eleição.

A posição provocou divergências entre aliados. Uma parte do PL defende que o partido reconheça o resultado e concentre seus esforços na atuação parlamentar e na oposição ao próximo governo.

Apesar da derrota presidencial, a legenda ampliou sua representação no Congresso Nacional. O PL elegeu 121 deputados federais e terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027.

Flávio, por sua vez, ficará sem mandato pela primeira vez em 24 anos. A perda da prerrogativa parlamentar e o andamento das investigações são fatores que tornam seu futuro político e jurídico incerto.

Da Redação

Fred Lima

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