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Na Lupa: Celina e os Brutus da política distrital
Na Roma antiga, Júlio César conheceu de perto a traição política e pagou com a própria vida. Cercado por homens que frequentavam seu círculo de poder, entre eles senadores, o ditador perpétuo da República Romana foi traído por Marco Júnio Bruto, a quem havia poupado depois da guerra civil. Bruto lutara ao lado de Pompeu, inimigo de César, mas foi perdoado e reintegrado ao jogo político. O significado da frase “Até tu, Brutus?” está nessa contradição.
A prática da traição atravessa os séculos na política. No pior momento de um líder, um aliado protege sua posição e defende seu legado. Mais tarde, o líder defendido pode agir nos bastidores para sabotar esse aliado, movido pelo apego ao poder e pelo incômodo de vê-lo ganhar espaço.
Na capital do país, a governadora Celina Leão (PP) talvez esteja enfrentando a maior campanha de sabotagem da história política local. Os conspiradores têm medo porque a chefe do Executivo distrital é conhecida por ser audaciosa e destemida no jogo político. Em resumo: Celina é política, não politiqueira. Sua trajetória no DF revela uma pessoa idealista e próxima da população, algo que aprendeu na escola rorizista. Prova disso é que, assim que assumiu o Governo do Distrito Federal (GDF), cortou a verba de R$ 25 milhões destinada ao aniversário de Brasília e a transferiu para a saúde.
A chegada de Celina ao comando do Buriti vem contrariando interesses escusos e práticas antigas associadas ao segundo pecado capital: a avareza. Alinhada ao bolsonarismo, que defende o rompimento com o sistema da velha política, a leoa assusta as hienas territorialistas quando ruge.
Enquanto Maria de Lourdes Abadia foi bastante passiva em 2006 e acabou sem sequer ir ao segundo turno da eleição, Celina segue o caminho oposto. Ela traz para si a liderança do processo eleitoral e não aceita ser boneca de ventríloquo ou vaquinha de presépio de pessoas que a “apoiam”, nem do próprio grupo ao qual pertence. Como diz o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt: “O crédito pertence ao homem que está de fato na arena.” E, para estar no campo, é preciso realmente assumir a liderança do jogo. Caso contrário, vira coadjuvante, é manipulado e cai, em seguida, no ostracismo.
Para ser bem-sucedida e permanecer com a faixa de governadora, Celina terá de manter a liderança durante o período pré-eleitoral e a campanha. Acima de tudo, precisará ter cuidado com os Brutus que lhe dão tapinhas nas costas diante dos holofotes, mas tramam sua queda nos bastidores.
Da Redação
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