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‘Se eu fosse a governadora, não teria o escândalo do Master no BRB’, afirma Celina em entrevista

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que a crise do BRB ganhou peso político por ocorrer em ano eleitoral. Em entrevista ao Valor, ela disse que o banco é sólido e acusou adversários de explorar o caso para atingir o maior patrimônio financeiro público do DF. “Você sabe qual é o pior problema da crise do BRB? É estar em ano eleitoral”, afirmou.

Celina também tentou se afastar das decisões tomadas no período em que o BRB negociou com o Banco Master. Segundo ela, quando era vice-governadora, não participava das decisões estratégicas do banco e tomava conhecimento dos fatos pela imprensa. A governadora disse ainda que era contrária à condução do caso.

Na entrevista, a chefe do Executivo local atribuiu a crise à gestão anterior, comandada por Ibaneis Rocha (MDB). Celina disse que, se estivesse à frente do governo na época, “não teria o escândalo do Master no BRB”. A fala aprofunda o distanciamento político entre a atual governadora e o antecessor.

O BRB entrou em crise após operações ligadas ao Banco Master. Em maio, União e Distrito Federal fecharam acordo no Supremo Tribunal Federal para viabilizar uma operação de crédito de até R$ 6 bilhões destinada à capitalização do banco. O empréstimo foi exigido pelo Banco Central para recompor as contas da instituição depois de fraudes apontadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

A Polícia Federal prendeu, em abril, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa na quarta fase da operação. Ele é suspeito de descumprir práticas de governança e facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master. A investigação apura crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Celina afirmou que tinha relação ruim com Paulo Henrique Costa e disse que o ex-presidente do banco tinha pretensões políticas. Segundo a governadora, ele sabia que seria retirado do cargo quando ela assumisse o governo e teria buscado se manter no comando por meio da operação com o Master.

A governadora descartou privatizar o BRB. Questionada sobre a venda da instituição, respondeu que a hipótese está “fora de questão”. Ela defendeu que o banco permaneça público e disse acreditar na recuperação de parte dos recursos envolvidos no caso, inclusive por meio de ações bloqueadas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Celina também afirmou que o governo adotará medidas de ajuste fiscal para ajudar a viabilizar a solução do banco. Entre as ações citadas estão cortes em contratos, redução de custeio, contingenciamento de 25% do Orçamento e cancelamento de empenhos. Segundo ela, o objetivo é reorganizar as contas do DF até dezembro.

Da Redação

Fred Lima

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