Juca Varella/Estadão

Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apuração envolve suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao mercado de canabidiol medicinal.

A decisão foi tomada na quinta-feira (30), após um pedido apresentado pela PF em 24 de julho. Os investigadores pretendem apurar se Lulinha atuou para facilitar o acesso de interesses privados ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República.

Uma das linhas da investigação busca esclarecer se o filho do presidente participou de tratativas para beneficiar a World Cannabis, empresa ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A empresária Roberta Luchsinger também será investigada.

Segundo a representação encaminhada ao Supremo, a PF identificou contatos dos investigados com servidores públicos. A apuração também analisará pagamentos feitos por Antunes à RL Consultoria, empresa de Roberta, e a eventual destinação desses recursos.

A investigação poderá aproveitar provas reunidas na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos feitos nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. Antunes é apontado como um dos principais investigados nessa operação.

Lulinha reconheceu, em documento apresentado ao STF, que viajou a Portugal com despesas pagas por Antunes. Segundo sua versão, a viagem tinha o objetivo de avaliar um negócio ligado à cannabis medicinal.

A defesa de Fábio Luís criticou a abertura da nova frente de investigação. O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que a medida causa estranheza e classificou a iniciativa como uma possível “pesca probatória”. Segundo ele, as apurações anteriores não encontraram irregularidades relacionadas ao filho do presidente.

As defesas de Roberta Luchsinger e de Antonio Carlos Camilo Antunes também afirmaram que não tinham conhecimento prévio do novo procedimento. Até a formalização e o avanço das diligências, as suspeitas permanecem sob investigação e não representam conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Lula declarou que o filho será investigado como qualquer cidadão e não receberá tratamento especial. “Não vou usar meu cargo para protegê-lo”, afirmou o presidente, que disse não pretender interferir no trabalho da Polícia Federal.

Da Redação

Fred Lima

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