Hegon Corrêa

Caiado critica adiamento de tarifa dos EUA e vê ‘falso positivo’ eleitoral

O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou, nesta terça-feira, 7, a possibilidade de adiar para depois das eleições a aplicação de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para ele, a medida criaria um “falso positivo” para a população e não resolveria o problema comercial entre os dois países.

Caiado reagiu à atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato ao Planalto, em audiência pública nos Estados Unidos sobre o chamado tarifaço. O senador tem defendido que a taxação contra produtos brasileiros seja suspensa ou cancelada.

“Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral”, disse Caiado. “Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não.”

A proposta de tarifa foi apresentada pelo governo dos Estados Unidos no âmbito de uma investigação comercial contra o Brasil. Segundo a agência Reuters, a medida prevê sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para itens como carne bovina, café, terras raras, energia e peças de aeronaves.

Flávio participou de audiência organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. De acordo com a Reuters, o senador vinha defendendo o adiamento da medida até depois da eleição brasileira de outubro, sob o argumento de que a aplicação imediata da tarifa poderia favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Caiado tentou se diferenciar da estratégia do senador. Para o ex-governador de Goiás, a discussão não deve ser tratada como cálculo eleitoral. Ele afirmou que o Brasil precisa buscar o cancelamento da medida e preservar a economia nacional.

A fala acirra a disputa dentro da direita em torno da sucessão presidencial de 2026. Caiado tem buscado se apresentar como alternativa ao bolsonarismo e passou a criticar a condução de Flávio em temas sensíveis, como comércio exterior e relação com os Estados Unidos.

O tarifaço também virou ponto de atrito entre governo e oposição. O Planalto acusa aliados de Jair Bolsonaro de usarem a crise comercial para fins eleitorais. Flávio nega ter defendido prejuízo ao Brasil e afirma que atua para evitar a cobrança das tarifas.

A decisão final sobre as tarifas ainda depende do governo norte-americano. O USTR recebeu manifestações de autoridades, setores produtivos e entidades empresariais antes de concluir a análise sobre a medida.

Da Redação

Fred Lima

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