Carlos Moura/Agência Senado

Terreno de Jaques Wagner valoriza 11.400% e fica às margens de via planejada em seu governo

Um terreno do senador Jaques Wagner (PT-BA), localizado na Região Metropolitana de Salvador, registrou valorização real de 11.400% em 25 anos. A área fica às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada e contratada durante o período em que o parlamentar governou a Bahia.

Wagner comprou o imóvel em março de 2000 por R$ 28 mil, quando exercia mandato de deputado federal. Corrigido pela inflação, o valor equivale a cerca de R$ 130 mil. A propriedade, com 51 mil metros quadrados, foi negociada por R$ 15 milhões.

A Via Metropolitana começou a ser estudada em 2011. Em setembro de 2014, ainda no governo Wagner, um aditivo ampliou o prazo da concessão do sistema BA-093 e permitiu o avanço do projeto. As obras começaram em 2015, na gestão do então governador Rui Costa (PT), e terminaram em 2018. O investimento foi de R$ 220 milhões.

A estrada tem 11,2 quilômetros e foi criada como alternativa à Estrada do Coco. A região passou a integrar um novo eixo de expansão imobiliária da Grande Salvador. O terreno negociado pelo senador será usado em um empreendimento residencial ligado ao novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia.

A transferência da propriedade foi interrompida em 25 de junho por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão determinou o bloqueio de contas, bens e valores de Wagner no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Segundo a defesa, a negociação começou em 2024 e foi formalizada em 2025, antes da operação da Polícia Federal que atingiu o senador. A empresa compradora afirmou que a aquisição seguiu critérios de mercado e passou por análise documental sem indicação de restrições.

Jaques Wagner negou que a construção da rodovia tenha sido direcionada para beneficiar a propriedade. O senador afirmou que os engenheiros definiram o traçado e que ele abriu mão de receber indenização pelo trecho do terreno usado na obra.

“A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor”, declarou. Wagner também afirmou que a valorização de um imóvel ao longo de 26 anos seria natural.

Da Redação

Fred Lima

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!