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Mendonça aciona PGR após PF apontar Moraes como possível destinatário de mensagens de Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Relatório preliminar da Polícia Federal aponta que o possível destinatário dos textos era o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça deu prazo de cinco dias para a PGR analisar o material. As mensagens mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em um dos textos, Vorcaro pede ao interlocutor que reforce com “Andrei e Paulo” para evitar uma ação que pudesse prejudicar o banco. Segundo os investigadores, os nomes seriam referências a Rodrigues e Gonet.
A suspeita de que Moraes seria o interlocutor surgiu depois que Mendonça determinou à PF a elaboração de um relatório sobre todas as menções encontradas no material apreendido a Moraes, Gonet e Rodrigues. O ministro havia dado 72 horas para a corporação apresentar as informações.
Segundo a apuração, Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do celular, fazia capturas da tela e enviava as imagens pelo WhatsApp no modo de visualização única. A PF afirma ter identificado Moraes como interlocutor em parte das conversas analisadas.
Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que era importante “reforçar com Andrei e Paulo” para impedir que subordinados tomassem alguma medida contra o banco. O ex-banqueiro também dizia ter informações sobre pressões da Polícia Federal e do Ministério Público por providências do Banco Central.
O conteúdo coloca agora a PGR diante de uma questão sensível: esclarecer se houve alguma atuação de Gonet, Rodrigues ou Moraes em favor de Vorcaro.
Até o momento, porém, o material divulgado não comprova que Moraes tenha atendido ao pedido, nem que Gonet ou Rodrigues tenham adotado qualquer providência para beneficiar o banqueiro. O que existe, por enquanto, são mensagens atribuídas a Vorcaro e a identificação preliminar feita pela PF sobre o possível destinatário.
Mendonça avalia os próximos passos da investigação depois da manifestação da Procuradoria. Entre as possibilidades analisadas está aprofundar a apuração sobre a participação de Moraes nas conversas relacionadas ao Banco Master.
O episódio amplia a pressão sobre o Supremo em torno das relações mantidas por Vorcaro com autoridades e integrantes do meio político.
O Banco Master também manteve contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês e poderia alcançar R$ 129 milhões em três anos. O escritório afirmou anteriormente que não havia impedimento legal e que os serviços foram prestados.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025. No dia seguinte à prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Master. Desde então, as investigações sobre as operações da instituição financeira avançaram em diferentes frentes e chegaram a empresários, agentes públicos e políticos. O STF já autorizou medidas da Operação Compliance Zero para investigar suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa relacionados ao banco.
Da Redação
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