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Senado: Damares pede renúncia de Moraes e anuncia pedido de impeachment após caso Vorcaro
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pediu a renúncia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e anunciou que prepara um pedido de impeachment contra o magistrado. A declaração foi feita no plenário do Senado na terça-feira (1º), após a divulgação de informações das investigações sobre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Vorcaro está preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao extinto Banco Master. Documentos obtidos pela Polícia Federal e divulgados nesta semana trouxeram à tona mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e registros sobre sua relação com Moraes.
Na tribuna, Damares afirmou que o conteúdo já revelado é suficiente para justificar a abertura de um processo no Senado.
“Ministro Alexandre, pelo bem da nação, pelo bem da República, renuncie ainda hoje à tarde. Eu acho que seria a melhor notícia para o Brasil”, declarou.
A senadora disse estar elaborando sua própria representação e lembrou que outros pedidos foram apresentados. O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou uma denúncia por crime de responsabilidade contra Moraes também na terça-feira. Segundo Viana, as mensagens justificam uma investigação sobre possível advocacia administrativa em benefício de Vorcaro.
Damares concentrou as críticas nas supostas conversas entre Vorcaro e Moraes e no contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O acordo previa honorários milionários.
“O que nós estamos vendo no noticiário não é apenas um escândalo passageiro, é uma fratura exposta na nossa República”, afirmou a senadora.
Ela também citou informações segundo as quais Moraes teria participado da edição de uma minuta do contrato. Análise da Polícia Federal sobre os metadados de arquivos encontrados no celular de Vorcaro apontou o nome “Ministro Alexandre de Moraes” como último editor de versões do documento. O contrato firmado com o escritório de Viviane previa cerca de R$ 131 milhões em honorários.
As informações levantam questionamentos sobre a relação entre o ministro e Vorcaro, mas, até o momento, não há comprovação de que Moraes tenha atendido a pedidos do ex-banqueiro para interferir nas investigações. O ministro não havia se manifestado publicamente sobre as novas revelações até a divulgação dos relatórios.
O episódio aumentou a pressão política sobre o STF. Parlamentares de oposição passaram a cobrar explicações e a defender que o Senado analise os pedidos contra Moraes. Damares sustentou que a renúncia evitaria uma crise institucional ainda maior.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Depois de protocolada, uma denúncia é analisada dentro da Casa e depende de encaminhamento da Presidência do Senado para avançar. Nunca houve aprovação de um impeachment de ministro do Supremo no Brasil.
Com a nova ofensiva, Alexandre de Moraes volta ao centro de uma disputa que agora reúne investigação policial, questionamentos sobre sua relação com Vorcaro e crescente pressão no Congresso. Damares deixou claro que pretende levar essa discussão formalmente ao Senado.
Da Redação
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