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Na Lupa: ‘Todos contra Celina’ é neutralizado por… Celina

O debate realizado pelo Correio Braziliense com os candidatos ao governo do Distrito Federal, na terça-feira (1º), foi equilibrado, mas deixou uma tática evidente. O “todos contra Celina” entrou de vez na campanha e deve nortear os próximos confrontos. Participaram a governadora Celina Leão (PP), líder nas pesquisas, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), o ex-presidente da OAB/DF Kiko Caputo (Novo) e Ricardo Cappelli (PSB).

O quarteto do debate anterior virou quinteto contra Celina. Embora tente se apresentar como novidade na política, quase um outsider, bastou a turma se unir contra a governadora para Kiko entrar na roda como o Quico da Vila do Chaves. A semelhança, nesse caso, vai além do nome. O candidato do Novo passou a campanha tentando se diferenciar da velha política, mas, diante das câmeras, engrossou o coro de Arruda, Grass, Belmonte e Cappelli. Na hora de mostrar independência, preferiu acompanhar o grupo. No fim, o “Kiko” que queria parecer diferente correu o risco de sair como “Quico”, mais um na Vila, sem ser o Chaves e, portanto, sem protagonismo.

Já o “nômade” Cappelli parece acreditar que pegar ônibus às 5h da manhã em Brazlândia basta para apresentar uma solução aos congestionamentos do DF. Vale lembrar que seu partido já governou a capital e não conseguiu resolver o problema. O contraste aparece quando se olha para o último governo Ibaneis, período em que Celina era vice-governadora. Entre 2023 e março de 2026, o GDF entregou pelo menos sete grandes obras de viadutos ou complexos viários e duas duplicações de vias, além da duplicação da DF-140, executada por etapas. Cappelli tenta se apresentar como solução para problemas que o próprio PSB, quando esteve à frente do Distrito Federal, não conseguiu solucionar.

No confronto com Belmonte, Celina explorou uma diferença clara entre as duas, a experiência política e administrativa. A governadora exerceu dois mandatos como deputada distrital, presidiu a Câmara Legislativa, passou pela Câmara dos Deputados e integrou o Executivo local como vice-governadora antes de assumir definitivamente o Palácio do Buriti. Paula foi deputada federal e hoje cumpre mandato de deputada distrital. No debate, Celina usou esse histórico para mostrar que chega à disputa com mais estrada e experiência de governo.

Contra Grass, Celina conseguiu colocá-lo contra a parede ao falar do Fundo Constitucional do DF. A governadora lembrou que foi ao Congresso para barrar mudanças que poderiam prejudicar os repasses para Brasília e fez uma pergunta simples, mas incômoda. Se fosse governador, Leandro teria coragem de enfrentar o governo Lula para defender o fundo? O petista tentou rebater a versão de Celina e levou a discussão para a gestão local, mas a chefe do Buriti conseguiu deixar uma dúvida no ar. Afinal, até que ponto um governador do PT teria independência para contrariar o Palácio do Planalto quando os interesses da capital estivessem em jogo? A pergunta permanece. Grass defenderia Brasília ou os interesses de seu partido no plano federal?

Quando o embate foi com Arruda, Celina conseguiu virar o jogo justamente no momento em que o ex-governador tentou colocá-la na defensiva com o BRB e críticas à gestão. A governadora puxou a discussão para o terreno mais sensível do adversário, sua situação judicial e os 16 anos longe do poder. O contra-ataque veio numa frase feita para ficar: “Faz 16 anos que Brasília foi vacinada contra o senhor.” A reação funcionou porque obrigou Arruda a encarar novamente um passado que tenta deixar para trás, sem sucesso.

Ao fim do debate, ficou a impressão de que a oposição ganhou, de fato, mais um integrante e que Celina será o alvo preferencial até o dia da eleição. A governadora, porém, também mostrou que não pretende ficar apenas na defensiva e que sabe explorar as vulnerabilidades de quem está do outro lado. Há ainda uma contradição difícil de ignorar. Arruda, Paula e Kiko, identificados com a direita, aparecem em sintonia circunstancial com Grass e Cappelli, nomes da esquerda e alinhados ao lulismo. Na tentativa de derrotar Celina, diferenças ideológicas que normalmente os colocariam em lados opostos parecem ter sido deixadas de lado. O “todos contra Celina” está formado. Resta saber até quando essa união de conveniência resistirá às próprias contradições.

Da Redação

Fred Lima

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