NAS ENTRELINHAS: Ibaneis X Félix: A hora certa de debater. Ou: O excesso de democracia

Por Fred Lima

Uma coisa precisa ser esclarecida na discussão que ocorreu entre o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o deputado distrital Fábio Félix (Psol), na última segunda-feira (19). Em primeiro lugar, cabe ao Executivo delinear as políticas que necessitam de aprovação do poder Legislativo. Agora, aquelas que não estão sujeitas à aceitação da Câmara Legislativa, são decididas pela caneta do governador, como no caso da gestão compartilhada nas escolas.

O que ocorreu é que Félix quis expor a sua opinião em um momento inoportuno, quando a presença do chefe do Buriti na Casa era somente para protocolar o projeto de criação da Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência. Após a reunião, o parlamentar poderia ter abordado o governador e solicitado uma audiência para tratar sobre o tema, ficando a critério de Ibaneis acatar ou não, visto que não se trata de um projeto a ser enviado à CLDF.

Em seu livro “O Futuro da Democracia”, o filósofo político italiano Noberto Bobbio afirma: “Nada ameaça mais matar a democracia que o excesso de democracia” (BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. 8ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 39.).

O PT, Psol e outros partidos de esquerda gostam de exercer a democracia em excesso quando estão na oposição, mas na situação a história é diferente. Quem não se lembra do estado policialesco que o então governador Agnelo Queiroz (PT) criou para perseguir opositores, incluindo políticos e jornalistas? A hoje deputada federal Celina Leão (PP-DF) foi uma das vítimas quando era distrital e ferrenha opositora do governo petista.

O debate é enriquecedor e faz parte da democracia. No entanto, em ocasiões inapropriadas, pode acabar gerando contenda, o que de fato aconteceu.

Da Redação

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