Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na Lupa: Os índices de Lula não chegam à mesa dos brasileiros
Ao afirmar que o país tem o menor nível histórico de desemprego, o recorde de rendimento e o maior patamar de exportações, o governo Lula não conseguiu sequer o básico: fazer com que esses números impactassem positivamente o cotidiano dos brasileiros. Ou seja, a matemática existe, mas sem a entrega na outra ponta, onde está o bolso da população.
Os índices podem ser comparados à era do milagre econômico da ditadura militar. Enquanto uma parcela da população sentiu o crescimento de 11% do PIB ao ano, especialmente a classe média ligada à indústria, a maioria não notou os efeitos no dia a dia, com o governo segurando salários, reprimindo greves e concentrando renda.
Em abril de 2026, a promessa da picanha de 2022 não se concretizou para o pai de família do subúrbio, que gosta de fazer churrasco aos domingos no quintal de sua casa. Pelo contrário, a inflação dos alimentos vem saltando este ano, chegando a subir 1,56% em março, em contraponto ao tão falado recorde do aumento de renda que o governo tanto gosta de apregoar.
É por isso que o presidente chega a perder para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em alguns cenários de primeiro turno realizados pelos institutos de pesquisa. A verdade precisa ser dita: o terceiro governo Lula não conseguiu entregar, na prática, o que prometeu há quatro anos. O que existe são apenas índices coletados, que não refletem a realidade diária do sofrido povo brasileiro.
O Lula 3 se assemelha ao governo Agnelo Queiroz (PT) no DF. Durante a campanha de 2014, o governador petista dizia que havia feito o BRT Expresso DF Sul, o Estádio Nacional Mané Garrincha e o túnel do balão do Aeroporto, por exemplo. Ao fim do mandato, porém, essas entregas não foram sentidas pelo brasiliense, isto é, não melhoraram de fato a vida do cidadão. Agnelo sequer foi ao segundo turno.
O mesmo ocorreu com Jair Bolsonaro (PL). Embora tenha legado um governo com superávit primário de R$ 59,7 bilhões e aumentado o salário mínimo nos quatro anos em que presidiu o país, o reajuste era nominal, sem ganho real relevante. O aumento serviu mais para repor a inflação do que para elevar efetivamente o poder de compra.
No primeiro mandato, o desafio de Lula foi manter a estabilidade econômica conquistada pela era FHC, fazendo com que, ao mesmo tempo, o país crescesse. No segundo, foi distribuir renda com os efeitos práticos das bolsas e dos demais programas sociais. Neste mandato, a tarefa era colocar o Brasil novamente no trilho do crescimento econômico em um mundo pós-Covid, bem como combater a inflação dos alimentos. Tanto que a promessa da picanha foi a jogada de marketing certa para transmitir tal mensagem.
O último a sair, apague a luz. Flopou.
Da Redação
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