Andressa Anholete/Agência Senado

Na Lupa: O ‘não’ a ‘Bessias’ expõe a fadiga do Legislativo com indicações ideológicas, e não técnicas

Não adiantaram as lágrimas nem o aceno à pauta antiaborto. Jorge Messias até tentou, mas seu perfil alinhado à esquerda pesou mais na avaliação dos senadores. Com a derrota, entrou para a história como o sexto indicado ao STF barrado pelo Senado. O peso político do revés é ainda maior porque a última rejeição de um nome para a Corte remonta a 1894, há 132 anos, no início da República.

Cada presidente da República dispõe de capital político para indicar ministros ao Supremo. No terceiro mandato, Lula fez três indicações, incluída a de Messias. A primeira foi a de Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública. Com passagem pelo PCdoB e filiado ao PSB à época da escolha, Dino tinha currículo para o STF, mas carregava uma trajetória pública associada à esquerda. Foi o primeiro cartucho que Lula precisou gastar no Senado para aprovar a ida do ex-ministro à Corte.

A segunda indicação foi ainda mais delicada. Cristiano Zanin foi advogado pessoal de Lula nos processos da Lava Jato. Embora fosse um nome respeitado na advocacia, defendeu o presidente justamente nas ações em que ele foi julgado e condenado. O governo precisou montar uma tropa de choque para garantir a aprovação. Com Zanin, a margem segura de Lula se esgotou, ou teria se esgotado para qualquer presidente em situação semelhante.

A rejeição de “Bessias” foi um recado direto do Senado ao Planalto: os cartuchos acabaram. A aprovação do advogado-geral da União seria vista por parte dos senadores como chancela à politização do STF. Caso passasse, Lula e Dilma teriam indicado sete dos 11 ministros da Corte, o que ampliaria a presença de nomes escolhidos por governos petistas e alimentaria questionamentos sobre o equilíbrio entre os Poderes.

O pombo-correio de Dilma e Lula em 2016, portador do termo de posse que virou símbolo de uma crise política, teve as asas cortadas em praça pública. A derrota ocorreu em uma rinha aberta com a oposição, sob o constrangimento adicional de ver o líder do governo sorrir e abraçar Davi Alcolumbre (União-AP) após o anúncio do resultado.

Da Redação

Fred Lima

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