REUTERS/ Amanda Perobelli

PF mapeia autoridades com foro no caso Master

A Polícia Federal prepara uma lista de autoridades com prerrogativa de foro que aparecem no inquérito sobre as fraudes atribuídas ao Banco Master. O levantamento será enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

A medida deve indicar quem já é investigado ou pode passar a ser alvo formal da apuração. Entre os nomes citados no material analisado há deputados, senadores, um governador e ministros do Supremo. A simples menção, porém, não comprova participação em irregularidades.

Os investigadores analisam celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Master. A PF busca mensagens, datas e vínculos que possam justificar novas frentes de investigação. Até agora, apenas parte dos aparelhos passou por perícia.

O relatório terá caráter informativo. Com ele, Mendonça poderá decidir se todo o caso fica no Supremo ou se trechos do inquérito devem seguir para instâncias inferiores. A definição é relevante porque autoridades com foro são julgadas por tribunais específicos.

O caso chegou ao gabinete de Mendonça em fevereiro, depois que Dias Toffoli deixou a relatoria. A troca ocorreu após a PF informar ao presidente do STF, Edson Fachin, que havia menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O conteúdo está sob segredo de Justiça.

A investigação integra a Operação Compliance Zero. Em março, a PF prendeu Vorcaro em uma nova fase da apuração, que mirou suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Na ocasião, o STF também autorizou bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025. Desde então, a apuração avançou sobre executivos, intermediários e autoridades citadas em documentos e mensagens ligados ao grupo financeiro.

Outro ponto no radar é a possível colaboração premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A defesa dele comunicou ao Supremo, em 27 de abril, o interesse em negociar um acordo com a PF.

Da Redação

Fred Lima

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