Pedro Gontijo / Presidência Senado
Operação contra Ciro Nogueira amplia crise entre Lula e Alcolumbre
A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) agravou a tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A ação ocorreu no momento em que o governo Lula tentava reconstruir a relação com o comando da Casa, abalada pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Nos dias anteriores à operação, o Planalto havia escalado os ministros José Múcio, da Defesa, e José Guimarães, das Relações Institucionais, para reabrir o diálogo com Alcolumbre. A intenção era reduzir a crise e viabilizar uma conversa direta entre o senador e o presidente.
A busca contra Ciro mudou o ambiente político. O senador é presidente nacional do PP e aliado próximo de Alcolumbre. Interlocutores do presidente do Senado avaliam que o momento da operação dificultou qualquer gesto de reaproximação no curto prazo.
A ação faz parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao Banco Master. Segundo a Agência Brasil, a PF cumpriu mandados no Piauí, em São Paulo, em Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão também autorizou bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores.
A investigação mira supostas relações entre agentes públicos e o Banco Master. De acordo com decisão, Ciro é apontado como possível destinatário de vantagens indevidas e teria atuado em favor de interesses da instituição. A apuração também cita uma emenda apresentada em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, chamada nos bastidores de “emenda Master”.
No entorno de Alcolumbre, a operação foi lida como novo elemento de pressão sobre o Senado. Aliados do presidente da Casa veem a ação como mais um fator de desgaste depois da derrota de Messias, rejeitado pelo plenário em votação que expôs a fragilidade da articulação do governo.
A expectativa entre parlamentares é que Alcolumbre adote postura mais dura na condução da pauta do Senado. O gesto serviria para marcar posição institucional e mostrar força após a ofensiva contra um aliado de seu grupo político.
A crise ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master e à tentativa do governo de recompor pontes no Congresso. Por ora, aliados de Alcolumbre indicam que o presidente do Senado deve manter distância do Planalto até que o ambiente político fique menos tensionado.
Da Redação
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