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Na Lupa: O risco de queimada de largada do MDB-DF
Alguns políticos na história recente do Brasil ficaram conhecidos por se precipitarem e lançarem candidaturas com os ventos desfavoráveis, fazendo com que perdessem a eleição. Um dos exemplos é o do então governador de São Paulo, José Serra. Em 2010, Serra estava à frente do Palácio dos Bandeirantes, mas resolveu ser candidato à Presidência, disputando o cargo de mandatário maior do País contra Dilma Rousseff. O governo Lula vinha com mais de 80% de aprovação, enquanto Dilma era considerada a gerente dele. Serra estava com uma reeleição praticamente garantida em São Paulo, mas resolveu arriscar pela segunda vez e ser o candidato tucano de oposição. O resultado, todos já sabem.
Com uma carreira promissora na Câmara Legislativa do DF, onde chegou a ocupar a presidência da Casa, e na Câmara dos Deputados, o jovem Rafael Prudente está quase caindo na mesma tentação de Serra e correndo sério risco de ficar quatro anos fora da política. Seu sonho é chegar ao Palácio do Buriti. Seu padrinho é o ex-governador Ibaneis Rocha. Sua plateia é formada por quatro distritais do MDB na CLDF: Daniel Donizet, Hermeto, Iolando e Jaqueline. Só que, isoladamente e sem a máquina governamental, o MDB-DF não tem peso para vencer uma eleição ao GDF, ainda mais com a crise que abalou o partido local, em que a delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso, pode estremecer as estruturas da legenda na capital.
Em 2018, o cenário era outro. Havia um clamor da sociedade, não somente em Brasília, mas em todo o País, para que nomes de fora da política ou de oposição fossem eleitos para enfraquecer o establishment. Naquele pleito, o juiz Witzel, o advogado Ibaneis, o empresário João Doria e outros nomes outsiders foram eleitos. Na Presidência, Jair Bolsonaro subiu a rampa do Planalto. Eram outros tempos.
Hoje, a conjuntura aponta para a continuidade, não para o rompimento. Mesmo no DF, onde o escândalo da compra do Master pelo BRB ocupou as páginas policiais, a área de infraestrutura, principalmente, ainda pesa a favor do governo.
Por ser deputado, Rafael não tem as digitais daquilo que deu certo no governo Ibaneis, como Celina, que foi vice-governadora, e até mesmo os secretários, que participaram da gestão do governo. Nas últimas eleições, tanto presidenciais quanto locais, nenhum presidente ou governador que esteve no cargo lançou um parlamentar como sucessor. Fernando Henrique lançou Serra, seu ministro da Saúde; Lula lançou Dilma, sua ministra-chefe da Casa Civil; Joaquim Roriz lançou Maria de Lourdes Abadia, sua vice.
Seria muito estranho e soaria como guerra de vaidades Ibaneis querer lançar um nome de seu partido — não um nome do seu governo — para concorrer ao Executivo. Tal ato fortaleceria a tese de Celina, que afirmou categoricamente que o ex-governador queria alguém que governasse sob suas ordens.
Pior ainda seria se unir ao ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que depende de uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal para ser candidato. Há pouco tempo, Ibaneis afirmou que Arruda fazia parte da “República dos ladrões”. Se se unisse ao ex-governador, Ibaneis seria acusado de fazer parte da república que ele mesmo denominou assaltante dos cofres públicos.
O que resta ao MDB-DF é buscar o diálogo e entrar em consenso com Celina para, no futuro, talvez daqui a quatro anos, lançar candidato próprio ao GDF, haja vista que a atual governadora já vem de uma reeleição e não poderá disputar o Buriti em 2030.
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