Carlos Gandra/Agência CLDF
Na Lupa: Pesquisa mostra que Celina saiu maior da crise; povo separou governadora de Ibaneis
A pesquisa divulgada pelo Correio revela dois fatos curiosos para a governadora Celina Leão (PP). O primeiro é que o escândalo do BRB/Master, gerado pela gestão anterior, não fez com que Celina perdesse o pódio do favoritismo, pontuando 27,8%. Boa parte da população entendeu bem que a atual chefe do Executivo local não teve nada a ver com as negociações que culminaram na quase falência do banco. Além disso, aprovou a conduta de Celina nas tratativas com o Banco Central e o STF, que resultaram no salvamento do BRB.
Pelo visto, o saldo negativo foi todo direcionado ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que amarga a quarta posição no levantamento para o Senado Federal. O brasiliense soube diferenciar alhos de bugalhos, compreendendo que o papel de uma vice-governadora é apenas um cargo de honra, sem poder de decisão enquanto o titular ocupa o posto.
Se fosse o contrário, Itamar Franco teria de ser responsabilizado pelo esquema de PC Farias, que resultou no impeachment do presidente Fernando Collor, o que não tem o menor cabimento. Da mesma forma, Michel Temer também seria responsável pelo petrolão e pelo fiasco econômico do governo Dilma Rousseff, outro absurdo.
O segundo é que a melhor coisa que pode ter acontecido politicamente para Celina — fora o acordo que salvou o BRB — foi se afastar de Ibaneis. O escândalo bancário colou em cheio no ex-governador, de acordo com a pesquisa, a ponto de fazê-lo figurar até mesmo atrás de nomes como o de Erika Kokay (PT). Se a governadora estivesse aparecendo ao lado dele em fotos e eventos, sua imagem estaria direta ou indiretamente atrelada ao caso, o que poderia ocasionar sua queda nas pesquisas. Celina se livrou do abraço dos afogados.
A amostragem do Correio mostra, também, que o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) estacionou no teto de crescimento, com 23,5%. Nem a atual gestão passando por momentos turbulentos devido à dívida estratosférica que herdou, além do caso BRB/Master, fez com que o ex-governador ultrapassasse Celina. Ao mesmo tempo, o teto mostra que o eleitor não confia muito na palavra de Arruda, que jura aos quatro cantos do DF que está elegível e será candidato, mas depende de decisão do Supremo Tribunal Federal para levar adiante sua pré-candidatura, sem contar os demais processos em que já foi condenado por causa da Operação Caixa de Pandora.
Se o ex-governador tem teto, a esquerda candanga não sai do “piso”. Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB), juntos, não somam sequer 11%, ou seja, nem metade do número da governadora. O brasiliense identificou a expertise dos pré-candidatos da esquerda ao tentar vincular Celina ao caso BRB/Master, sabendo que foi o governo Rodrigo Rollemberg que nomeou o presidente do BRB que depois foi preso por corrupção. O tiro saiu pela culatra.
Em menos de 60 dias, Celina implantou uma administração cheia de personalidade, mantendo e melhorando o que era bom, promovendo uma ruptura com o que não estava dando certo e ajustando as contas públicas do governo.
O povo reparou.
Da Redação
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