Paulo Giandalia / AE

Empresa citada em inquérito sobre Lulinha mantém R$ 55,7 milhões em contratos federais

A empresa de tecnologia 3Structure IT mantém quatro contratos vigentes com órgãos federais que somam R$ 55,7 milhões. A companhia é citada no inquérito que investiga se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria usado sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para facilitar negócios com a administração pública.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a investigação da Polícia Federal. A apuração busca esclarecer a relação entre Lulinha e Cleber Ribas de Oliveira, ligado à 3Structure, e verificar se houve atuação do filho do presidente em tratativas da empresa com a Dataprev e outros órgãos federais. A abertura do inquérito não representa conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

O maior contrato vigente foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O acordo, no valor de R$ 19,2 milhões, prevê a instalação de uma nova solução de armazenamento de cópias de segurança, migração de dados e suporte técnico. A vigência vai até 2031.

A empresa também mantém com o ministério um contrato de R$ 14,4 milhões para a sustentação do ambiente de análise de dados da pasta. Documento oficial registra esse valor como saldo remanescente de um contrato cujo valor global atualizado chegou a R$ 33,8 milhões após um termo aditivo.

Outro acordo, de R$ 21,8 milhões, foi firmado com o Exército em novembro de 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro. O objeto é a expansão da infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército. O contrato foi publicado em janeiro de 2023.

O quarto contrato vigente, no valor de R$ 177,6 mil, envolve o Instituto Nacional de Educação de Surdos, ligado ao Ministério da Educação. O acordo prevê o fornecimento de uma solução de tecnologia da informação e permanece válido até abril de 2029.

Registros de despesas apontam ainda que a 3Structure recebeu R$ 46,9 milhões da administração federal desde 2023. O montante inclui pagamentos, empenhos e notas fiscais e, portanto, não corresponde necessariamente apenas aos valores dos contratos ainda vigentes.

A defesa de Lulinha classificou a investigação como uma “fishing expedition descarada”, expressão usada para definir uma busca genérica por provas. O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que não há fato objetivo que justifique o inquérito e atribuiu a apuração a uma tentativa de interferência eleitoral.

A 3Structure declarou que os contratos foram celebrados com transparência, dentro da legislação e sem intermediação de terceiros. A empresa afirmou que as contratações decorreram de sua capacidade técnica e da participação regular em processos públicos. Segundo a defesa, os acordos também passaram por auditorias do Tribunal de Contas da União.

Da Redação

Fred Lima

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