Hegon Corrêa
Caiado ataca Lula e Flávio e diz que corrupção não tem lado
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quinta-feira (20). Em sabatina eleitoral, o ex-governador de Goiás afirmou que corrupção deve receber o mesmo tratamento independentemente do campo político e disse que “tanto faz roubar com a mão esquerda ou a direita”.
A declaração ocorreu quando Caiado foi questionado sobre episódios que atingem as campanhas de Lula e Flávio. O candidato do PSD afirmou que uma pessoa envolvida em irregularidades não teria autoridade para apresentar o combate ao crime como bandeira eleitoral. A fala faz parte da estratégia de Caiado para tentar ocupar um espaço entre os dois candidatos que lideram as pesquisas nacionais.
Caiado também voltou a cobrar explicações de Flávio sobre a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Perguntado diretamente se considerava Flávio um ladrão, porém, não fez a acusação de forma expressa. Respondeu: “Entenda como você quiser”.
Caiado mira herança política de Bolsonaro
O candidato do PSD procurou separar Jair Bolsonaro do filho durante a entrevista. Disse respeitar o ex-presidente, mas criticou a ideia de que Flávio tenha preferência entre os eleitores de direita apenas por pertencer à família Bolsonaro.
“Eleição se constrói com mérito, não por herança familiar”, afirmou Caiado. O ex-governador tenta convencer o eleitorado conservador de que pode representar a direita sem depender do apoio direto da família Bolsonaro.
As críticas ao senador se intensificaram nos últimos meses. Caiado já havia cobrado esclarecimentos sobre os contatos de Flávio com Daniel Vorcaro e argumentado que as controvérsias enfraquecem a capacidade do candidato do PL de enfrentar Lula na eleição.
Flávio afirma que já prestou contas dos gastos relacionados a Dark Horse e considera o episódio uma “página virada”. Nesta quinta-feira, durante agenda de campanha em São Paulo, o candidato do PL voltou a negar que deva explicações adicionais sobre o financiamento da produção e direcionou as críticas ao presidente Lula e ao filho dele, Fábio Luís Lula da Silva.
Filho de Lula também entra no discurso
Caiado explorou ainda as investigações envolvendo Fábio Luís, conhecido como Lulinha. O empresário é alvo de inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência. A defesa nega irregularidades e critica vazamentos de informações das investigações. Lula declarou que o filho não terá proteção do governo e deverá responder às apurações.
Ao colocar os episódios envolvendo os dois lados no mesmo discurso, Caiado tenta construir uma candidatura de oposição a Lula sem se subordinar ao bolsonarismo. Ele afirmou durante a sabatina que mantém oposição ao petista há quatro décadas, mesmo diante da participação de integrantes do PSD em governos e alianças estaduais próximas ao PT.
Segurança pública
Caiado também apresentou propostas para a segurança. Defendeu a criação de um tipo penal de terrorismo doméstico para atingir organizações criminosas e propôs maior integração entre forças de segurança no combate às facções.
O candidato afirmou que pretende reforçar o patrulhamento dos quase 17 mil quilômetros de fronteiras brasileiras com drones e inteligência artificial. Ele rejeitou a construção de muros e também descartou permitir a atuação de tropas estrangeiras no território brasileiro.
A ofensiva contra Lula e Flávio ocorre em um momento no qual Caiado tenta ganhar espaço na corrida presidencial. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta semana mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 36%. Os demais candidatos aparecem bem atrás dos dois líderes. No segundo turno entre petista e candidato do PL, o levantamento registrou 47% a 44%, dentro da margem considerada de empate técnico.
Da Redação
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