Agência Brasil
Na Lupa: O futuro repetiu o passado para o inelegível Arruda
Assim como nas eleições de 2014, era uma vez uma candidatura que, novamente, parou no meio do caminho. Há doze anos, mesmo diante da Lei da Ficha Limpa, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) quis peitar a legislação e levou a pior. Desistiu da disputa faltando 22 dias para o pleito. Em seu lugar, lançou seu então candidato a vice, Jofran Frejat, que não teve tempo suficiente para consolidar a própria candidatura.
Como cantou Cazuza, “eu vi o futuro repetir o passado”. A frase parece feita sob medida para a trajetória eleitoral de Arruda.
Agora, em 2026, descumprindo a promessa feita em 2014, quando afirmou que estava se aposentando da vida pública, Arruda acreditou que estivesse liberado para concorrer em razão da alteração na Lei da Ficha Limpa, ocorrida no fim do ano passado. No entanto, para o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral, ele continua inelegível.
Arruda não foi barrado pela primeira condenação relacionada à Caixa de Pandora, de 2014, cujos efeitos terminaram em 2022. O impedimento ocorreu por causa de seis condenações posteriores, consideradas não conexas juridicamente pelos desembargadores. Por isso, o TRE-DF entendeu que ele continua inelegível.
O ex-governador já anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas a possibilidade de reverter a decisão é quase nula. O TRE-DF acolheu o entendimento do MPE de que as seis condenações posteriores, a partir de dezembro de 2018, envolvem contratos e condutas distintos. Por isso, o colegiado concluiu que elas não podem ser reunidas sob um único marco temporal.
Em 2002, Arruda recebeu da população do Distrito Federal sua primeira remissão política, depois do episódio em que negou participação na violação do painel eletrônico do Senado durante a votação da cassação de Luiz Estevão. Sete anos depois, voltou a perder a confiança do eleitorado com a Caixa de Pandora. Desde então, tenta conquistar um segundo perdão, até agora sem sucesso.
A inelegibilidade costuma cobrar a conta de quem trai, mais de uma vez, a confiança do eleitor.
Da Redação
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