Divulgação

Na Lupa: Quinteto oposicionista procura ‘pelo em ovo’ para atacar Celina, mas precisa explicar a própria cabeleira

Dos candidatos de oposição ao Governo do Distrito Federal que pontuam nas pesquisas de opinião, o único que não precisa se explicar sobre investigações é o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O Ministério Público Eleitoral pediu, e o Tribunal Regional Eleitoral decidiu barrar sua candidatura ao governo por entender que suas sucessivas condenações por improbidade administrativa ainda o mantêm inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Já Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo) têm episódios de suas trajetórias que merecem explicações.

Kiko — não o da Vila do Chaves — diz ser outsider e defende a ética pública, mas já fez o papel de “advogado do diabo” de Arruda. O ex-governador chegou a ser preso preventivamente em 2010, em meio à Operação Caixa de Pandora, e posteriormente foi condenado por falsidade ideológica, com pena de dois anos e 11 meses mantida pelo Superior Tribunal de Justiça em 2020. Kiko, cujo escritório já advogava havia anos para Arruda, aparece pessoalmente como defensor do ex-governador em ação de improbidade decorrente da Pandora, relacionada à suspeita de compra de apoio político. Como pode um candidato levantar a bandeira da moralidade política e, ao mesmo tempo, ter sido defensor de um ex-governador condenado justamente por contrariar princípios éticos enquanto exerceu o cargo de chefe do Executivo local? Pode até dizer que não havia ilegalidade em exercer a advocacia, mas a contradição política permanece para quem se apresenta como guardião da ética brasiliense. Capito, Caputo?

À frente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Cappelli foi acusado, em 2025, de manter uma estrutura paralela de comunicação, apelidada de “bunker”, que teria usado empregados, equipamentos e recursos da agência para produzir conteúdo, interagir com eleitores e fortalecer sua imagem política antes da eleição de 2026. O caso chegou ao Tribunal de Contas da União, que abriu a representação 003.014/2026-6 para apurar possível uso indevido da estrutura da ABDI em benefício de sua pré-candidatura ao GDF. Na análise preliminar, a área técnica do tribunal apontou indícios de desvio de finalidade em contrato de comunicação que, após aditivo, chegou a cerca de R$ 8,1 milhões. Segundo os técnicos, parte dos serviços contratados poderia ter sido direcionada à promoção pessoal ou político-partidária de Ricardo.

Paula tem no entorno familiar um episódio difícil de ignorar. A Polícia Federal encontrou no celular de seu marido, o advogado e empresário Luís Felipe Belmonte, uma conversa sobre R$ 2 milhões e a criação de uma empresa de eventos. O diálogo levou os investigadores a levantar a hipótese de que a estrutura poderia servir para dar aparência regular a recursos tratados como “caixa dois”. O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito específico para apurar o caso, no qual o nome de Paula apareceu por participar da conversa. Luís Felipe negou irregularidades e sustentou que se tratava de um investimento legítimo. Ainda assim, permanece a pergunta sobre como uma operação financeira dessa dimensão chegou ao ponto de ser interpretada pela Polícia Federal como possível caixa dois e merecer investigação própria no Supremo.

Grass comandava o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional quando a exoneração da chefe do Escritório Técnico de Ouro Preto colocou sua gestão sob escrutínio do Ministério Público Federal. A servidora vinha participando de fiscalizações que contrariavam interesses da prefeitura e, em 27 de outubro de 2023, um ofício do Gabinete da Presidência do instituto pediu sua saída “com a maior brevidade possível”. A sequência levanta perguntas inevitáveis. Por que tanta urgência justamente naquele momento? Houve pressão externa sobre a direção do Iphan? Leandro participou da decisão ou apenas a referendou administrativamente? O MPF considerou as dúvidas relevantes a ponto de pedir investigação sobre possível retaliação ou interferência política, e o TRF-6 autorizou a abertura de inquérito para apurar, em tese, prevaricação e advocacia administrativa envolvendo Grass e o prefeito Ângelo Oswaldo. O Iphan negou relação entre a exoneração e as fiscalizações e afirmou que a mudança fazia parte de uma reorganização mais ampla. O caso, porém, mantém aberto a questão sobre qual foi, afinal, o papel de Leandro naquela decisão.

Depois de tudo isso, o quinteto, mais confuso que camaleão diante de um arco-íris, conseguiu reunir direita e esquerda sob o mesmo objetivo de desgastar a governadora Celina Leão (PP) e agora mira também sua família. Adversários acionaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios por causa de repasses de R$ 1,4 milhão a uma empresa ligada ao marido e à filha da chefe do Buriti. Até aqui, porém, não apresentaram prova de interferência de Celina no negócio ou de favorecimento à empresa. Sem esse elo, o episódio se aproxima mais de uma tentativa de transformar uma relação comercial privada em munição para manchar a imagem da governadora.

Como se pode verificar, todos têm algo a explicar. Se o critério adotado contra Celina for aplicado aos próprios adversários, Paula precisa esclarecer melhor o episódio dos R$ 2 milhões. Grass tem de explicar o que realmente ocorreu no Iphan. Cappelli precisa dizer se a estrutura da ABDI foi ou não usada para fins eleitorais. E Kiko tem de convencer o eleitor de que existem dois Kikos — mais uma vez, não o do Chaves —, o advogado que defende condenado e o político que combate a corrupção. Já Arruda dispensa maiores perguntas. O TRE já explicou por ele.

Para desgastar Celina numa verdadeira caça a “pelo em ovo”, o quinteto partiu para o tudo ou nada, como se as suspeitas e questionamentos que pesam sobre seus próprios integrantes simplesmente não existissem.

Da Redação

Fred Lima

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!