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Foi-se uma carreira política que poderia crescer no futuro. Com apenas um mandato de deputada federal e um de distrital, Paula Belmonte (PSDB) não seria eleita governadora este ano. Talvez tenha havido uma queima de etapas. Pode ser que um retorno à Câmara dos Deputados e, posteriormente, uma eleição para o Senado, em 2030, projetassem Paula para o Palácio do Buriti em 2034 ou 2038. Só que ela quis atropelar ciclos importantes na formação de um político que sonha com o Executivo.
O que se viu da candidata Belmonte em 2026 foi, possivelmente, uma inveja muito mal disfarçada da governadora Celina Leão (PP). Começou com a história das botas e passou para uma implicância notória nos debates, com direito a histerismos. Ao mesmo tempo, a tucana não confrontou os demais candidatos cujos partidos já governaram o DF e deixaram a capital em frangalhos. Pelo contrário, com Leandro Grass (PT), Paula foi bastante amistosa e fez perguntas que pareciam combinadas anteriormente, de tão afáveis que eram.
Durante o mandato de deputada federal, Belmonte adotou um discurso abertamente crítico ao PT, especialmente ao tratar das investigações da CPI do BNDES, da qual participou. Em pronunciamento na Câmara, em outubro de 2022, afirmou ter visto “com os meus olhos o esquema de corrupção que foi feito com o dinheiro da população” e disse que a comissão havia proposto o indiciamento de mais de 50 pessoas, entre elas Lula e Dilma Rousseff. Ao abordar o programa Mais Médicos e operações envolvendo Cuba, Paula voltou a atacar a legenda: “Então, esse é mais um esquema do Partido dos Trabalhadores no Brasil”, declarou.
Só que a Paula de 2019 a 2022 difere bastante da de 2026. Ao declarar apoio à candidata petista ao Senado Erika Kokay, a parlamentar deixou seus eleitores de centro e centro-direita perplexos e já afugentou vários deles, que devem agora apoiar a governadora candidata à reeleição. Paralelamente, jogou na lata de lixo da história todo o seu combate contra o PT na CPI do BNDES. Nas rodas de conversa da política brasiliense, alguns dizem que a Belmonte “anti-PT” era somente fruto de marketing, visto que o país era governado por Jair Bolsonaro (PL).
Algumas carreiras políticas são meteóricas. Outras são abatidas pelo próprio meteoro. O de Paula foi trazido da estrela vermelha.
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