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Eleições 2026: Sem eleger aliados, Marcus repete Lucimar e vê grupo governista ameaçado de divisão em Valparaíso

As eleições de 2026 chegaram ao fim e, pela primeira vez desde 2014, Valparaíso de Goiás, cidade vizinha ao Distrito Federal, não conseguiu eleger representantes nem para a Assembleia Legislativa de Goiás nem para a Câmara dos Deputados. Sem representação nos parlamentos estadual e federal, o município perde força política fora de seus limites. Diante desse cenário, a eleição de 2028 para a prefeitura tende a ser a mais disputada da história da cidade, com vários nomes de peso na corrida.

Sem representatividade na Alego, Valparaíso agora contará apenas com o deputado estadual Wilde Cambão (União), reeleito pela segunda vez. Embora seja natural de Luziânia (GO), o parlamentar destinou quase R$ 4 milhões em emendas ao município desde seu primeiro mandato. Responsável pela articulação e coordenação da campanha de Wilde em Valparaíso, o ex-presidente da Câmara Municipal, Plácido Cunha, se tornará, naturalmente, o porta-voz do deputado para assuntos relacionados ao município.

São apontados vários motivos para as derrotas. Um deles é a inércia do grupo político governista, que se acomodou no poder e subestimou o senso crítico da população valparaisense. Nesse contexto, o desempenho do prefeito Marcus Vinicius (MDB) à frente do Executivo municipal é apontado como uma das razões.

Pesquisas internas, encomendadas por partidos políticos para consumo próprio e às quais o Lupa Política teve acesso, foram unânimes ao apontar elevada desaprovação do gestor municipal, acima de 60%. É um índice alto que, se não houver mudanças, pode se consolidar e se tornar difícil de reverter.

Lêda ajudou a eleger Pábio. Depois, Pábio contribuiu para as vitórias de Lêda, Zeli e Marcus Vinicius. Marcus não conseguiu ajudar nenhum aliado a vencer nas urnas. Esse quadro pode traduzir o descontentamento da população com o prefeito e com os rumos do governo.

Em 2014, já amargando um elevado índice de desaprovação, assim como Marcus atualmente, a então prefeita Lucimar Nascimento (PT) também não conseguiu contribuir para a eleição de nenhum deputado estadual ou federal. Pelo contrário, viu Lêda, a quem havia derrotado dois anos antes, ser eleita para a Alego.

Não se trata apenas de uma questão ligada ao quociente partidário destas eleições no Entorno. No caso do governo, os sinais indicam que o problema também é local e está relacionado ao desempenho da própria gestão, que apoiou as candidaturas de Mossoró e Zeli.

Para políticos ouvidos, o grupo governista precisa fazer uma autocrítica, reconhecer os próprios erros e se reinventar. Caso contrário, corre o risco de se fragmentar nos próximos dois anos e perder força. A oposição, por sua vez, terá de se reorganizar e construir unidade se quiser disputar de forma real o comando local.

Agora, a tendência é que o grupo governista se pulverize de olho na eleição de 2028 para a Prefeitura. Se Pábio, por exemplo, não for candidato a prefeito, ficará seis anos sem mandato até 2030, o que é considerado uma eternidade na política. É difícil, ou quase impossível, imaginar o ex-prefeito retornando à Câmara Municipal como vereador, com o intuito de evitar um choque direto com o atual prefeito, que provavelmente disputará a reeleição.

Da mesma forma, Zeli não deve descer alguns degraus para disputar uma vaga de vereadora, cargo que, segundo pessoas próximas, nunca despertou seu interesse. No campo da oposição, menos provável ainda é que Lêda queira retornar à Câmara Municipal, onde tomou posse como vereadora no longínquo ano de 2001.

Nem Lêda nem Zeli, ambas aos 64 anos, devem se aposentar dos mandatos eletivos, muito menos Pábio, que tem apenas 47. No caso do ex-prefeito, afastar-se agora da vida pública representaria uma aposentadoria política extremamente precoce.

Se Pábio, Zeli e Dênis se unirem, com a promessa de que, caso o ex-prefeito seja eleito tendo um dos dois como vice, o outro dispute uma vaga na Câmara com o compromisso de assumir a presidência da Casa, a composição formaria uma chapa muito forte.

Nesse cenário, Lêda correria por fora como terceira via e poderia repetir a dobradinha com Maria Yvelônia, como ocorreu em 2020. No entanto, se a ex-secretária nacional de Assistência Social decidir ser candidata, abrir-se-ia uma quarta via.

Seria uma espécie de reedição municipal da eleição presidencial de 1989, quando 22 candidatos disputaram a Presidência da República. Esse cenário produziria efeitos ambíguos para o atual prefeito. Como Valparaíso não tem segundo turno, o elevado número de candidaturas poderia fragmentar os votos da oposição, confundir o eleitorado e favorecer sua permanência no cargo.

Por outro lado, a multiplicidade de postulantes também poderia retirar votos do próprio prefeito, ao oferecer mais alternativas ao eleitor. Quem não estiver muito satisfeito com a atual administração, mas não quiser apoiar Pábio ou Lêda, por exemplo, poderá optar por Zeli, Denis ou Yvelônia. Assim, votos que poderiam permanecer com o prefeito diante de um único adversário encontrariam outros destinos.

Amanhã, segunda-feira (5), cada um seguirá seu caminho, e as amizades acabarão de olho em 2028.

Da Redação

Fred Lima

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