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Na Lupa: ‘Agnelo 2’, Grass quer ‘reconstruir’ o DF como o ex-governador. Preparem-se: pode faltar até comida nos hospitais

A admiração de Leandro Grass (PT) pelo governo Agnelo Queiroz não é segredo. Em junho deste ano, ao defender o legado do ex-governador, o candidato ao Palácio do Buriti foi categórico: “Quem quebrou Brasília foram eles, e quem reconstruiu Brasília fomos nós, foi o governo Agnelo.” Meses depois, Grass voltou ao assunto. Disse que aquela gestão teve “um conjunto de entregas à população” e que faltou “comunicar melhor”. É esse modelo de administração que o petista usa como referência ao pedir o voto do eleitor brasiliense.

O governo Agnelo foi tão bom, mas tão bom, que sequer conseguiu chegar ao segundo turno, diante da bagunça em que deixou a cidade. No primeiro ano de mandato, quando acumulava o cargo de secretário de Saúde com o de governador e aparecia de jaleco médico, Agnelo prometia colocar a área nos trilhos. Ao fim da gestão, entregou uma saúde em colapso. Seu jaleco branco, antes símbolo da promessa de recuperação, terminou politicamente rasgado e sujo.

O problema da era Agnelo não foi apenas de comunicação, mas, principalmente, de gestão. Agnelo encerrou o mandato com uma saúde marcada pela falta de leitos, dificuldades de acesso às UTIs, problemas na gestão de medicamentos e atrasos nos pagamentos a fornecedores. A crise chegou à alimentação dos hospitais, com suspensão de refeições para servidores e intervenção da Justiça para assegurar a continuidade do serviço pela empresa Sanoli.

Agnelo também deixou um péssimo legado na área econômica. No fim de 2014, o GDF acumulava contas atrasadas e dívidas com fornecedores. Auditoria apontou indícios de cerca de R$ 2,2 bilhões em despesas executadas que não teriam sido registradas como Restos a Pagar. O resultado foi uma catástrofe financeira sem precedentes.

Outro “elefante branco” do governo Agnelo foi a reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha. A obra, inicialmente contratada por R$ 696 milhões, chegou a R$ 1,577 bilhão após 25 aditivos, segundo o Ministério Público Federal. As suspeitas de corrupção, favorecimento na licitação e lavagem de dinheiro deram origem à Operação Panatenaico, que levou o ex-governador à prisão preventiva em 2017. Posteriormente, ele foi denunciado pelo MPF.

É um governo do qual Brasília não tem saudade, mas pesadelos, e que Leandro Grass, se eleito, quer copiar.

Da Redação

Fred Lima

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