Agência Senado

Governo Trump pediu a Flávio Bolsonaro que retirasse título de presidente eleito de carta

Diplomatas americanos avaliaram que a declaração poderia ser interpretada como reconhecimento da vitória do senador e comprometer as relações dos Estados Unidos com o governo Lula.

O governo dos Estados Unidos pediu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que retirasse de uma carta a expressão em que se apresentava como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. A solicitação ocorreu após autoridades americanas tomarem conhecimento do documento divulgado na quarta-feira (28). Segundo relatos de diplomatas, a preocupação era evitar que a declaração fosse interpretada como um reconhecimento oficial da vitória do parlamentar, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.

A orientação partiu de representantes ligados ao Departamento de Estado americano. A avaliação era que permitir a entrada de Flávio nos Estados Unidos não significava reconhecer sua reivindicação à Presidência. Uma interpretação nesse sentido poderia provocar uma crise diplomática entre Washington e Brasília.

Pouco depois da divulgação da primeira carta, o senador apagou o texto e publicou uma nova versão. As expressões “verdadeiro presidente eleito” e “presidente eleito” deram lugar a “líder do Brasil” e “líder”. A alteração ocorreu cerca de 40 minutos após a circulação do documento original.

Aliados negam interferência americana

Integrantes do grupo político de Flávio apresentaram uma explicação diferente para a mudança. Segundo eles, houve apenas um ajuste na redação do documento, sem qualquer determinação do governo americano.

O comentarista político Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, negou que autoridades dos Estados Unidos tenham interferido na elaboração da carta. Ele afirmou que diferentes versões foram preparadas e que um trecho de um texto anterior acabou sendo utilizado. Também admitiu o uso de inteligência artificial na preparação do documento.

Diplomatas que acompanharam as conversas, entretanto, afirmaram que a revisão ocorreu depois que integrantes do governo de Donald Trump manifestaram preocupação com as consequências políticas da autodeclaração de Flávio.

Trump evita reconhecer declaração do senador

Na quarta-feira (28), o presidente Donald Trump já havia demonstrado cautela ao comentar a iniciativa do brasileiro. Questionado sobre a afirmação de Flávio de que seria o verdadeiro vencedor da eleição, o republicano evitou endossar a declaração.

“Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, afirmou Trump.

A manifestação ocorreu depois que o governo americano autorizou a entrada de Flávio e de seus familiares no país. Embora tenha voltado a questionar o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas de irregularidades, Trump não reconheceu o senador como presidente eleito.

O presidente americano também tem declarado que mantém uma boa relação com Lula. Essa posição reforça a distinção entre oferecer acolhimento a um aliado político e assumir uma postura diplomática de contestação ao governo brasileiro.

Carta mantém acusações de fraude eleitoral

A mudança na identificação de Flávio não alterou o conteúdo central do documento. O senador continuou questionando a legitimidade da eleição presidencial e alegando que houve fraude na votação, sem apresentar provas.

Lula venceu o segundo turno de domingo (25) com uma vantagem aproximada de 4,43 milhões de votos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o resultado e rejeitou as alegações de irregularidades capazes de comprometer a eleição.

Na carta, Flávio também agradeceu o apoio de Trump e do presidente da Argentina, Javier Milei. O senador afirmou que estava em segurança nos Estados Unidos, disse ser vítima de perseguição política e anunciou a intenção de liderar a oposição brasileira a partir do exterior.

A reação de Washington indica que o governo Trump procura estabelecer limites para o apoio oferecido ao parlamentar. Até agora, os Estados Unidos autorizaram sua entrada no país, mas não reconheceram a reivindicação de Flávio à Presidência nem anunciaram medidas para contestar oficialmente o resultado das eleições brasileiras.

Da Redação

Fred Lima

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

erro: Content is protected !!