Carlos Moura/Agência Senado

Senado: Damares reage a ataques de bolsonaristas e defende união da direita após derrota de Flávio

Senadora afirma que trabalhou pela eleição do filho de Jair Bolsonaro, rebate críticas sobre comemoração de Celina Leão e nega apoio à reeleição de Davi Alcolumbre no Senado.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) reagiu às críticas de apoiadores da família Bolsonaro após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Em publicação nas redes sociais, na quinta-feira (29), a parlamentar defendeu sua atuação na campanha, reafirmou a lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e pediu que integrantes da direita interrompam as disputas internas para organizar a oposição ao governo federal.

Damares afirmou que participou ativamente da campanha de Flávio e percorreu diversos estados para conquistar votos. Segundo a senadora, o resultado da eleição provocou tristeza, mas não comprometeu sua convicção de ter cumprido os compromissos políticos assumidos.

“Minha consciência está tranquila”, declarou. A parlamentar ressaltou que sua relação com a família Bolsonaro começou há muitos anos e não será desfeita por acusações divulgadas na internet.

A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos também demonstrou preocupação com os conflitos entre aliados. Para Damares, o grupo precisa concentrar esforços na fiscalização do governo Lula e na construção de propostas para os próximos quatro anos.

Comemoração da vitória de Celina provoca cobranças

Uma das principais críticas dirigidas à senadora envolve sua participação na comemoração da reeleição da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), no domingo (25), quando Flávio Bolsonaro foi derrotado na disputa presidencial.

Apoiadores questionaram a presença de Damares na celebração e sugeriram que ela teria dado mais importância ao resultado local do que à eleição nacional.

A parlamentar contestou a interpretação. Segundo ela, a comemoração ocorreu antes da confirmação da derrota de Flávio. Damares lembrou que viajou a vários estados durante a campanha e participou de compromissos eleitorais em locais onde o candidato não pôde comparecer.

Em manifestação anterior, divulgada na segunda-feira (26), a senadora relatou que chorou ao conhecer o resultado da eleição presidencial. Ela afirmou que a comemoração da vitória de Celina ocorreu em meio à tristeza pela derrota do candidato do PL.

Damares também disse que precisou retomar os compromissos parlamentares, apesar da frustração eleitoral.

Senadora nega apoio à reeleição de Alcolumbre

As cobranças também chegaram à disputa pelo comando do Senado Federal. Questionada por um apoiador sobre a possibilidade de votar pela reeleição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), Damares respondeu de maneira direta que não apoiará sua permanência no cargo.

A manifestação reforça uma posição que a parlamentar já havia apresentado ao discutir possíveis negociações envolvendo a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros condenados por atos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Damares defende a anistia, mas rejeita utilizá-la como condição para apoiar a continuidade de Alcolumbre na presidência do Senado.

Damares pede fim das disputas internas na direita

Na publicação, a senadora também alertou para a circulação de informações distorcidas nas redes sociais. Ela recomendou que os apoiadores verifiquem acusações antes de compartilhar mensagens e vídeos que possam ampliar as divergências políticas.

Damares afirmou que continuará defendendo pessoas que considera injustamente presas ou perseguidas por motivos políticos. A parlamentar também pretende manter sua atuação no Senado e participar da reorganização da oposição para o próximo mandato presidencial.

A senadora descartou alimentar discussões pessoais com os críticos. Segundo ela, as divergências não devem impedir a defesa dos direitos de pessoas que tenham posições diferentes das suas.

A reação ocorre em um momento de reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro. As divergências sobre estratégias políticas, alianças e liderança do grupo ganharam espaço desde o resultado das urnas.

Para Damares, o desafio agora é superar os conflitos entre aliados e estabelecer uma atuação conjunta de oposição ao governo Lula até 2030.

Da Redação

Fred Lima

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