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Vitória democrata nos EUA pressiona Trump e pode favorecer relação com o Brasil

Diplomacia brasileira acompanha mudanças no Congresso americano e avalia possíveis reflexos nas negociações comerciais e na influência de aliados de Bolsonaro em Washington

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas nessa terça-feira (3), aumentou a pressão política sobre o presidente Donald Trump e abriu novas perspectivas para as relações com o Brasil. Integrantes da diplomacia brasileira avaliam que a mudança no equilíbrio de forças em Washington poderá limitar decisões da Casa Branca e favorecer o diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo uma derrota ao Partido Republicano. O resultado representa um revés para Trump, que enfrentará um Congresso controlado pela oposição nos dois últimos anos de seu mandato.

A nova composição do Legislativo americano começa a funcionar em janeiro de 2027. Até lá, o governo brasileiro acompanhará a reação do presidente à derrota eleitoral. A principal dúvida é se Trump adotará uma postura mais aberta às negociações ou intensificará os confrontos políticos antes da posse dos novos parlamentares.

Com a maioria nas duas Casas, os democratas poderão ampliar a fiscalização sobre o governo, abrir investigações e dificultar a aprovação de propostas defendidas pelo presidente. Trump, no entanto, continuará com poder de veto e ampla autoridade sobre decisões de política externa.

Derrota pode reduzir espaço do bolsonarismo

Outro possível efeito da eleição envolve a relação de Trump com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A avaliação de setores governistas brasileiros é que o enfraquecimento político do republicano poderá reduzir o espaço destinado às articulações bolsonaristas nos Estados Unidos.

A expectativa é que Trump passe a concentrar esforços nas disputas internas, principalmente diante do fortalecimento da oposição e da aproximação das eleições presidenciais americanas de 2028.

Esse cenário, porém, ainda é incerto. A derrota republicana não significa necessariamente uma mudança na relação da Casa Branca com políticos brasileiros alinhados ao presidente americano.

Negociações comerciais continuam

As tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros também estão entre as preocupações do governo Lula. Apesar da nova maioria democrata no Congresso, as decisões sobre política comercial permanecem, em grande parte, sob responsabilidade do Executivo americano.

O Brasil mantém negociações para tentar reduzir as tarifas que atingem suas exportações. Os dois países criaram, em setembro, um grupo de trabalho destinado a discutir questões comerciais e possíveis condições para um acordo.

Na terça-feira (3), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que o governo brasileiro espera receber uma proposta americana entre esta semana e o início da próxima.

O documento deverá indicar os setores em que Washington pretende negociar reduções tarifárias. Depois de analisar o conteúdo, o Brasil poderá apresentar suas próprias propostas.

O ministro também afirmou que o resultado das eleições americanas não altera o andamento das negociações comerciais.

Relação entre os países dependerá da reação de Trump

Embora a vitória democrata aumente a capacidade de fiscalização do Congresso, o presidente americano continuará responsável pela condução das relações diplomáticas com outros países.

A mudança poderá criar obstáculos para iniciativas de Trump, mas não garante uma postura mais favorável ao Brasil. O republicano ainda poderá recorrer ao poder de veto e a medidas administrativas para manter suas prioridades.

Para a diplomacia brasileira, o desafio será aproveitar eventuais oportunidades de negociação sem depender de uma mudança imediata na política externa dos Estados Unidos.

O comportamento de Trump nos próximos meses será decisivo para indicar se a derrota eleitoral abrirá espaço para uma aproximação com o governo Lula ou provocará novos conflitos entre Washington e Brasília.

Da Redação

Fred Lima

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