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STF vê resistência no Senado a nova indicação de Lula

Integrantes do Supremo Tribunal Federal avaliam que o Senado não tem ambiente político para analisar, neste momento, uma nova indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Ministros da Corte defendem que o Planalto espere o resultado das eleições de outubro antes de enviar outro nome ao Congresso.

O diagnóstico ganhou força depois da derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, no plenário do Senado. Em 29 de abril, os senadores rejeitaram a indicação por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, Messias precisava do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores.

A avaliação no STF se baseia em conversas informais com senadores da base aliada. Esses parlamentares dizem ser improvável que o presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), paute uma nova sabatina em curto prazo. Lula deve se reunir com Alcolumbre nesta semana para tratar do assunto, no primeiro encontro entre os dois desde a rejeição de Messias.

No Palácio do Planalto, a orientação discutida é não insistir no nome de Messias. Auxiliares defendem que Lula indique uma mulher para o Supremo. A leitura é que a escolha poderia reduzir a resistência política e criar pressão sobre os senadores. O presidente, porém, ainda não tomou decisão.

Lula também deve conversar novamente com Messias. O advogado-geral da União é citado nos bastidores como possível nome para o Ministério da Justiça. Após a derrota no Senado, ele chegou a sinalizar disposição de deixar o governo, mas Lula pediu que permanecesse na AGU.

A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria de Barroso, publicada em outubro de 2025. A saída do ministro deu a Lula a terceira oportunidade de indicar um integrante da Corte no atual mandato, depois das escolhas de Cristiano Zanin e Flávio Dino.

A rejeição de Messias aumentou o peso político da próxima escolha. Agora, o Planalto precisa calcular não só o perfil jurídico do indicado, mas também sua chance de aprovação em um Senado mais resistente ao governo.

Da Redação

Fred Lima

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