Reprodução/Instagram
Na Lupa: A indignação seletiva e eleitoreira de Leila sobre o BRB
Utilizando a tribuna do Senado Federal nessa quarta-feira (27), a senadora Leila Barros (PDT-DF) fez críticas contundentes à crise no Banco de Brasília (BRB), tanto ao governo Ibaneis Rocha quanto ao atual governo de Celina Leão.
Se a indignação de Leila fosse coerente, ela teria se manifestado na tribuna do Senado quando Vasco Cunha, então presidente do banco, foi preso pela Operação Circus Maximus, acusado de participar de um esquema de fraudes na instituição. Na época, Leila estava no PSB, partido que governava o DF e nomeou Vasco para o comando do BRB. Só que a senadora não poderia agir da mesma forma, pois contrariaria o governador Rodrigo Rollemberg, seu correligionário e padrinho político.
Pode ser que o escândalo que acometeu Vasco tenha sido o embrião do esquema de propinas no banco, que já estava no foco de investigações durante a era Agnelo Queiroz, por operações feitas pela BRB DTVM em fundos ligados a empreendimentos imobiliários.
Não se trata do mesmo governo, como Leila afirma. Celina não era governadora, mas vice. Seria o mesmo que jogar na conta do presidente Itamar Franco o confisco das cadernetas de poupança por ele ocupar a vice-presidência na época da medida drástica promovida pelo governo Fernando Collor. No entanto, a senadora age de forma eleitoreira, ou seja, pensando somente na eleição ao Buriti, em outubro, sem o compromisso de contextualizar e distinguir os governos, quando apoiará Leandro Grass (PT) ou Ricardo Cappelli (PSB).
Vice é praticamente um cargo de honra. Não é à toa que a mesma parlamentar se esquece de que Renato Santana, então número 2 do governo Rollemberg, desentendeu-se com o então governador e foi retaliado, perdendo diversos cargos no governo. Mesmo no início da gestão do PSB, dizem as más línguas que Hélio Doyle, então chefe da Casa Civil, em uma reunião no palácio, teria dito a Santana que tinha mais poder do que ele, o que, na prática, acaba sendo verdade.
A esquerda brasiliense tenta transformar a grande vitória de Celina em ter salvado o BRB em ônus por ela ter sido vice no governo passado, como se Ibaneis não tivesse mais obras relevantes para a cidade do que os governos do PT e do PSB, ficando atrás somente de Joaquim Roriz. Para eles, é como se a gestão do emedebista tivesse sido um desastre, o que não corresponde à realidade. Foi um governo que teve acertos e erros, como todos os demais, mas que conseguiu um feito inédito: foi reeleito no primeiro turno, diferentemente do padrinho de Leila, que é lembrado por muitos como o pior governador do DF.
O que ocorreu com o BRB é grave, tanto agora quanto no passado. Mas a população precisa separar a cobrança legítima por investigação da indignação seletiva usada como palanque eleitoral.
Da Redação
- Na Lupa: A indignação seletiva e eleitoreira de Leila sobre o BRB - 28 de maio de 2026
- Senado: Damares cobra mais rigor contra violência sexual infantil e quer discutir prisão perpétua - 27 de maio de 2026
- CLDF: Pedrosa cobra plano integrado para enfrentar aumento da população em situação de rua - 27 de maio de 2026
