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Flávio prepara mudança no arcabouço fiscal e corte de supersalários em plano econômico
O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), prepara um plano econômico que prevê mudanças no atual arcabouço fiscal, corte de supersalários no serviço público e redução da máquina federal. A proposta em elaboração pretende impor limites mais rígidos aos gastos de acordo com o nível da dívida pública.
Pelo modelo estudado pela equipe de Flávio, o governo passaria a considerar não apenas o crescimento da arrecadação, mas também a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) para definir quanto poderá gastar. Quanto maior o endividamento, menor seria o espaço para o aumento das despesas.
Uma das possibilidades analisadas é congelar, em termos reais, os gastos federais quando a dívida bruta superar 80% do PIB. Se o endividamento ficar entre 75% e 80%, as despesas poderiam crescer até 50% do aumento real das receitas. A proporção subiria para 70% caso a dívida ficasse abaixo de 75%. Os parâmetros ainda estão em discussão e podem mudar até a apresentação definitiva do programa.
Atualmente, a regra fiscal permite crescimento real das despesas entre 0,6% e 2,5% ao ano e estabelece limites relacionados ao aumento das receitas e ao cumprimento das metas fiscais.
A preocupação com o endividamento aparece no centro da proposta. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB em junho de 2026, equivalente a R$ 10,8 trilhões. O indicador avançou 0,9 ponto porcentual em relação ao mês anterior.
As mudanças fazem parte de um programa de redução de despesas que ganhou o nome de “Tesouraço” na campanha de Flávio. Além da revisão da regra fiscal, a equipe estuda reforma administrativa, diminuição do número de estruturas do governo e medidas para combater os chamados supersalários no serviço público.
A equipe econômica também trabalha com uma meta de ajuste fiscal equivalente a cerca de 1,5% do PIB. Entre as medidas consideradas estão revisão de benefícios tributários, melhor aproveitamento de imóveis da União, mudanças em estatais dependentes do Tesouro e ampliação de concessões e parcerias com o setor privado.
A elaboração do programa econômico é coordenada pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que também ocupou cargos no Ministério da Economia durante o governo Jair Bolsonaro.
Caso Flávio vença a eleição, a intenção de seus auxiliares é encaminhar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para colocar a nova regra fiscal em prática. A campanha informou que o programa de governo deverá detalhar as propostas econômicas até 15 de agosto.
Da Redação
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