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Na Lupa: Celina não foi à Globo, mas saiu vencedora do debate

A governadora Celina Leão (PP) não pisou no estúdio da Globo, mas esteve presente durante boa parte do debate. Não fisicamente. Esteve na boca dos adversários como nunca.

Para início de conversa, a chefe do Executivo local acertou ao não comparecer. Não há como debater com quem não apresenta propostas e passa a maior parte do tempo tentando vinculá-la ao caso BRB/Master. Talvez, se o ex-presidente Itamar Franco estivesse debatendo com esse tipo de gente, fosse acusado até de ser responsável pelo “esquema PC”. É esse o nível da conversa.

Além disso, burburinhos nos bastidores davam conta de que o próprio presidente Lula (PT) teria mexido os pauzinhos para que o evento não fosse cancelado com a ausência da governadora. O objetivo seria desgastá-la com vinculações sem pé nem cabeça.

Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo) perderam a oportunidade de mostrar ao Distrito Federal as diferenças entre suas candidaturas. Poderiam confrontar projetos para saúde, segurança, transporte, educação e economia. Poderiam questionar uns aos outros sobre trajetórias, alianças, governos passados e contradições. Preferiram, em grande medida, atacar Celina.

A cena gerou uma ironia. Os quatro candidatos pertencem a partidos diferentes e disputam os mesmos votos, mas, em vários momentos, só quiseram atacar quem lidera as pesquisas. E os números ajudam a compreender a estratégia. Celina chegou à reta final com 53,1% dos votos válidos na pesquisa Correio/Opinião. O levantamento coloca Grass com 27,5%, Paula com 9,7%, Cappelli com 3,5% e Kiko com 2,8%. Se esse retrato se repetir nas urnas, a disputa terminará no primeiro turno.

Quando José Roberto Arruda (PSD) ainda estava na eleição, o comportamento já chamava atenção. Embora fosse um ex-governador com uma extensa ficha a ser confrontada, vide o caso Caixa de Pandora, Arruda recebeu tratamento mais cordial dos concorrentes. Grass chegou a ter a oportunidade de questioná-lo diretamente, mas levou a discussão novamente para o BRB e para o governo.

O episódio permite uma avaliação: se Grass, Paula, Cappelli e Kiko são alternativas tão diferentes para governar Brasília, por que foi tão mais fácil encontrar convergência contra Celina do que apontar as diferenças entre eles?

O tiro saiu pela culatra. Ao focarem seus ataques na governadora, fizeram dela o nome mais lembrado da eleição deste ano ao GDF.

Celina não foi ao debate. Ainda assim, conseguiram transformá-la em protagonista.

Da Redação

Fred Lima

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